Crianças pequenas têm uma carga viral mais alta de coronavírus do que adultos, diz pesquisa

Crianças pequenas têm uma carga viral mais alta de coronavírus do que adultos, diz pesquisa
Imagem de 2081671 por Pixabay

O papel das crianças na transmissão da covid-19 continua sendo uma incógnita, mas os avanços científicos revelam algumas pistas nesse sentido. Um estudo publicado no periódico JAMA Pediatrics, nesta quinta-feira (30), constatou que crianças pequenas têm uma carga viral mais alta de coronavírus do que adultos. Isso pode significar uma capacidade relevante de transmitir a doença, segundo reportagem da BBC Brasil.

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Pesquisadores do Hospital Infantil Ann & Robert H. Lurie de Chicago, nos Estados Unidos, reuniram amostras de 145 pacientes com covid-19, com sintomas leves e moderados e no estágio inicial da doença (com, no máximo, sete dias de diagnóstico). Eles foram divididos em três grupos – crianças com até cinco anos (46 pacientes); crianças entre cinco a 17 anos (51 pacientes); e adultos de 18 a 65 anos (48 pacientes).

No estudo, os testes moleculares (PCR) encontraram em crianças de até 5 anos com Covid-19 mais fragmentos do material genético do vírus — mas não o vírus “inteiro” — do que em crianças com 5 a 17 anos ou mesmo nos adultos. O chamado valor CT foi semelhante para crianças mais velhas (11.1) e adultos (11.0), mas significativamente mais baixo para crianças mais novas (6.5). Isso quer dizer que houve a necessidade de menos ciclos para detecção de fragmentos do vírus, o que é um indicativo de uma carga viral maior.

A médica e autora principal do estudo, Taylor Heald-Sargent, informou à BBC Brasil que o estudo “não examinou diretamente a replicação viral ou a transmissão do SARS-CoV-2, mas foi demonstrado para outros vírus que quantidades mais altas do patógeno podem aumentar a capacidade de transmissão.”

Ela também lembrou o fato de que crianças pequenas são menos propensas a usarem máscaras regularmente, a manterem boa higiene das mãos e estão mais suscetíveis a colocarem a mão na boca ou tocarem o nariz. “Parece lógico (supor) que as crianças sejam capazes de transmitir o vírus a outras pessoas”, concluiu.

Na reportagem, especialistas pedem cautela com os resultados. Ainda que o material genético do patógeno seja encontrado no corpo com o PCR, como foi feito no estudo, isso não significa que a doença se desenvolveu ou que ela pode ser transmitida.