O que não dizer para uma mulher que sofreu um aborto espontâneo

Reprodução / Instagram

Na última quarta-feira (25) a Duquesa de Sussex, Meghan Markle, revelou em um artigo publicado no jornal The New York Times que sofreu um aborto espontâneo em julho.

Casada com o Príncipe Harry e mãe de Archie, de um ano e seis meses Meghan revelou no artigo que estava grávida do segundo filho quando sofreu o aborto. “Após trocar sua fralda (de Archie), eu senti uma câimbra aguda. Caí no chão com ele em meus braços, cantando uma canção de ninar para acalmar a nós dois, a melodia alegre contrastando com a minha sensação de que algo estava errado. Eu sabia, enquanto agarrava meu primeiro filho, que estava perdendo meu segundo”, escreveu, em um relato comovente.

“Perder um filho significa carregar um luto quase insuportável, vivenciado por muitos mas falado por poucos. Em meio à dor da nossa perda, eu e meu marido descobrimos que, em uma sala com 100 mulheres, 10 a 20 delas terá sofrido um aborto espontâneo. Ainda assim, apesar de ser uma dor impressionantemente comum, a conversa continua sendo um tabu, impregnado de vergonha (injustificada), que perpetua um ciclo de luto solitário”.

“Quando alguém pergunta como nós estamos e realmente escutam a resposta, com um coração e uma mente abertos, a carga de sofrimento muitas vezes se torna mais leve – para todos nós. Ao sermos convidados a dividir nossa dor, juntos damos os primeiros passados em direção da cura”, escreveu a duquesa.

Aborto espontâneo não é um evento raro em uma gravidez. Ele é a complicação mais comum do primeiro trimestre da gestação e, como Meghan escreve em seu artigo, atinge entre 10 a 20% das mulheres grávidas, sendo que esse índice aumenta conforme a idade da gestante.

Mas isso não quer dizer que seja um evento banal para as mulheres que passam por isso. Pelo contrário. A dor de perder um bebê desejado é como passar por um luto.

Portanto, se alguma mulher que você conhece está passando por isso, eis as nossas dicas de como lidar com a situação.

1 – Nunca minimize a dor que de mulher que passou por um aborto espontâneo, mesmo que tenha acontecido bem no comecinho da gestação. Não diga frases como: “ah, isso é normal, acontece com muitas mulheres”, “melhor agora do que mais para frente”, “Deus sabe o que faz” ou “logo logo você engravida de novo”. Acredite, essas frases não ajudam em nada, só irritam e deixam a pessoa mais deprimida.

2 – Escute mais do que fale. Se você não sabe muito bem o que dizer neste momento de luto, apenas diga que está do lado da pessoa e que ela pode te chamar quando quiser para conversar. Deixe que ela desabafe.

3 – Se você for visitar uma amiga próxima que sofreu um aborto, você pode levar alguma coisa gostosa para comer e propor assistir a algum filme leve para distrair a cabeça (e que não tenha nada a ver com maternidade, pelo amor de Deus). Mas, se ela não quiser fazer nada e nem conversar, respeite. Apenas se mostre presente. Pergunte se ela quer ajuda para guardar as coisas do bebê, se o quartinho já estiver montado, por exemplo.

4 – Aí vai um recado para os médicos: para você, um aborto espontâneo pode ser um acontecimento corriqueiro de sua profissão. Mas para a sua paciente, é um sonho que acabou e uma perda muito, muito dolorida. Seja sensível e não trate o evento como algo banal. Para aquele mulher esse é um evento muito importante e que vai marcar a vida dela, então trate com a devida relevância.

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