Pandemia serve para ensinar as crianças sobre frustração, diz terapeuta

Pandemia serve para ensinar as crianças sobre frustração
Imagem: Kristen Howerton

Mãe de quatro filhos, Kristen Howerton vê a pandemia como uma oportunidade para ensinar as crianças sobre frustração. Em um artigo opinativo publicado no jornal The Washington Post, a terapeuta familiar e matrimonial fala da importância de distinguir situações decepcionantes de coisas que, de fato, afetam negativamente a saúde mental dos filhos.

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“Agora temos a oportunidade de treinar nossos filhos durante esse período de frustrações. Embora seja difícil, também é uma oportunidade incrível, enquanto eles ainda estão sob nossos cuidados, para ensiná-los a enfrentar as futuras tempestades que a vida trará”, afirma.

Diante das privações de antigos hábitos e de sentimentos de ansiedade, raiva e exaustão que afetam muitas pessoas durante a pandemia, a especialista diz lutar contra a “tentação de se sentir fatalista” ao pensar que “tudo está arruinado” ou que os filhos “vão ficar traumatizados”. Para ela, é preciso transformar essa narrativa em algo positivo.

Kristen Howerton diz que os pais podem dar aos filhos uma de duas perspectivas: a da vitimização ou do empoderamento. A primeira centrada na percepção de que as crianças perderam coisas que elas têm direito, que devem continuar indignadas e que ficarão para sempre marcadas por suas perdas atuais. A segunda voltada para resiliência, luto e mudança, encorajando os jovens a encontrar um novo significado e novas habilidades de enfrentamento.

“Não precisamos suprimir as respostas naturais de nossos filhos ao que estão perdendo agora. Precisamos reconhecer e trabalhar seus verdadeiros sentimentos e dar-lhes permissão para sentir medo, dúvida, raiva e tristeza, assim como nós”, afirma.

“Mas, além disso, também precisamos dar esperança aos nossos filhos. Precisamos ajudá-los a ver isso como algo temporário, para dar-lhes a sensação de que seu mundo, embora profundamente mudado, não será para sempre estragado.”

A terapeuta familiar destaca que, como parte de “uma sociedade de privilégios”, fomos ensinados a fugir dos sofrimentos. No entanto, lembra que decepções são inevitáveis. “Em minha própria vida, experimentei grandes perdas e aprendi que o desafio e a adversidade podem ser um catalisador para a resiliência”, compartilhou. Ela acredita que as frustrações a ajudaram a ter mais flexibilidade e a ser menos controladora.

Kristen Howerton reconhece que é complicado ajudar os filhos a desenvolver a resiliência sem cair na positividade tóxica. Mas diz que podemos controlar o significado que damos a esse momento: “Podemos escolher diminuir nossas expectativas: para nós mesmos. Para nossos filhos. Para nosso trabalho. Pela limpeza de nossa casa. Pela produtividade de nossos dias.”

“Em toda essa incerteza louca, vamos optar por ser o mais gentil que pudermos conosco e com aqueles que amamos. A saúde mental é importante. Mas não precisa depender das frustrações e perdas deste período. Em vez disso, pode depender de como ajudamos nossos entes queridos a processar essas decepções”, conclui.