Cuidados com a privacidade dos filhos na internet

Foto de Katerina Holmes

Nas últimas semanas viralizou uma nova trend nas redes sociais que parece desafiar os limites da estupidez humana na busca incessante por cliques e popularidade online. A “brincadeira” consiste em quebrar um ovo na testa dos filhos desavisados, para gravar a reação das crianças. Nas imagens, muitas crianças surpresas e chorando de dor e susto.

Para Bendev Junior, especialista em programação e inteligência artificial, a primeira preocupação dos pais com a privacidade dos filhos na internet deveria ser a de justamente não postar imagens que provoquem constrangimentos, atuais ou futuros, à criança.

Para Junior, a exposição excessiva da imagem das crianças na internet pode causar um impacto emocional que, por sua vez, pode gerar desconforto e sentimentos de invasão de privacidade.

“As crianças estão em fase de formação de identidade, e a exposição constante nas redes sociais pode influenciar negativamente sua autoimagem e autoestima”, diz o especialista.

Quanto às crianças mais velhas e adolescentes, se não der para afastá-los totalmente da vida digital, é importante no mínimo ficar atento à pressão para corresponder às expectativas dos outros e receber aprovação online, situações que podem surgir da exposição excessiva.

Inteligência artificial
Para além da preocupação de não causar constrangimento às crianças, Bendev Junior também alerta para outra questão relacionada à exposição dos filhos na internet, que é o desenvolvimento das funcionalidades da inteligência artificial. “É muito importante ter cuidado com o que se posta nas redes sociais, pois as imagens, vídeos e áudios podem servir como um banco de dados para inteligências artificiais que podem, por exemplo, clonar a voz da criança para aplicação de golpes ou usar a imagem dela para criar fotos fakes em contextos negativo”, diz. Como por exemplo, memes e figurinhas, para falar de usos até mais leves do que outras manipulações que podem ser feitas com imagens, como geração de pornografia.

Ou seja, nesses novos tempos, é preciso redobrar o cuidado com o que postamos na internet. De acordo com as dicas de Bendev Junior, ao postar fotos, evite detalhes que possam ser explorados, como localização, nome de escola etc.

Além disso, o especialista recomenda não confiar cegamente em interações online, como áudios e vídeos, especialmente se parecerem suspeitas. “Mesmo que a IA ainda não tenha atingido um nível de passar totalmente despercebidas em interações humanas, ela está avançando rapidamente”, diz.

Por isso, é preciso educar as crianças e adolescentes sobre os riscos associados às redes sociais e à inteligência artificial e ensiná-los a questionar a autenticidade das interações online. “Ao se familiarizar com o tipo de conteúdo gerado por IA, as pessoas desenvolvem um olhar mais crítico e podem distinguir entre uma interação real e uma gerada artificialmente”, afirma Bendev Junior.

O especialista também dá outras dicas de segurança: utilizar ferramentas de limitação como usar contas privadas em redes sociais, bloquear os stories apenas para familiares e armazenar fotos apenas em pastas privadas, ou seja, com acesso somente a pessoas aprovadas.

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