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Prepare-se para amamentar seu bebê ainda na gravidez

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O nascimento de um filho pode trazer muita insegurança para uma mulher, principalmente se ela for mãe de primeira viagem. Um dos principais motivos para essa insegurança é a amamentação. Acertar a pega da boca do bebê no seio, lidar com as dores e desconfortos nas primeiras semanas e ficar em dúvida se a quantidade de leite que a criança está mamando são alguns fatores que podem causar estresse na mãe.

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Para te ajudar a se preparar melhor para lidar com esse momento maravilhoso, mas muito desafiador e difícil, preparamos algumas dicas de coisas para fazer antes do bebê nascer. Lembrando que, entre 1 e 7 de agosto, se comemora a Semana Mundial de Aleitamento Materno.

1 – Marque uma consulta e converse com um pediatra ANTES do bebê nascer, para tirar suas dúvidas sobre amamentação. Por volta da 32ª semana é um bom momento. É bacana também procurar um profissional especializado em aleitamento materno, como uma enfermeira da área. Bancos de leite e maternidades da sua região podem indicar pessoas.

2 – Antes de decidir onde você vai ter seu filho, procure saber se a maternidade é amiga da amamentação, ou seja, se permite que o bebê fique junto com a mãe durante a internação e se seus profissionais orientam as mães a respeito do aleitamento. Procure saber se os médicos permitem e incentivam a amamentação na primeira hora de nascimento do bebê, o que é importante para a descida do leite e para fortalecer o vínculo afetivo com a mãe.

3 – Se você tiver mamilos planos ou invertidos e alguém te disser que você não vai conseguir amamentar por causa disso, fuja dessa pessoa. Existem no mercado conchas especiais que ajudam a formar o bico do seio. Além disso, a pega correta pressupõe que o bebê abocanhe a aréola toda, não só o mamilo (aliás, se ele pegar só o mamilo, vai doer bastante). Então não ter um mamilo saliente não vai impedir a amamentação.

4 – Se você quiser e tiver um espaço para isso, pode tomar sol nos seios durante a gestação. Isso ajuda a fortalecer a pele dos mamilos. Evite o período entre 11h e 16h.

5 – Procure vídeos no YouTube que mostrem como é a pega correta do bebê no seio. Uma das orientações é segurar o peito formando um “C”, ajudando a criança a abocanhar o mamilo e grande parte da aréola. Outra dica é aprender a fazer a ordenha manual quando o peito está muito cheio, para fazer a pega. É importante aprender essas técnicas antes do parto. Veja como é a ordenha:


6 – Quando for planejar o quarto do bebê, pense se você vai ter um lugar confortável para amamentar. Algumas acham que uma poltrona de amamentação é um trambolho dispensável, outras pensam ser um móvel fundamental. Eu, particularmente, usei muito minha poltrona. Principalmente nas primeiras semanas/meses, você vai precisar de um lugar bastante confortável para amamentar. Primeiro porque ainda está pegando o jeito, segundo porque você vai passar muitas horas do dia e da noite fazendo isso (depois a gente se acostuma a amamentar no sofá, na cama, de pé, de qualquer jeito). A poltrona ajuda muito por dar apoio aos braços da mãe. Também vale a pena comprar uma almofada de amamentação, que mais para frente também pode servir para ajudar a apoiar as costas do bebê no chão, quando ele estiver aprendendo a sentar.

Fontes: Luciana Herrero, pediatra; Cartilha de Amamentação Fraldas Capricho

Foto: Al van Akker88x31 (2)

 

 

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Mitos e verdades sobre amamentação

Bebe amamentando

É um consenso: o aleitamento materno é importante para a saúde e o desenvolvimento do bebê. Amamentar evita infecções e problemas respiratórios, reduz o risco de alergias e obesidade, nutre a criança por completo e fortalece o vínculo entre mãe e filho. Mas muitas dúvidas sempre povoam as mentes das mães de primeira viagem.

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O Cabeça de Criança esteve com a pediatra Luciana Herrero, consultora internacional em amamentação e gestora do Instituto Aninhare, que promove cursos e palestras para pais e empresas, para desvendar algumas das dúvidas mais frequentes que envolvem o aleitamento materno. Para a médica, o ideal é que a mãe se prepare para amamentar desde a gestação. “A confiança vem quando a mulher busca aprendizado antes mesmo do nascimento do bebê”, diz.

Luciana está lançando o livro “O Diário de Bordo do Parto” (Editora Aninhare), que tem como objetivo ajudar as mulheres a escolherem e planejarem a maneira como trarão seus filhos ao mundo.

Saiba o que é mito e o que é verdade no universo da amamentação:

Estresse emocional afeta a produção de leite
Verdade. A amamentação depende de dois hormônios, a prolactina e a ocitocina. A primeira estimula a produção do leite, enquanto a segunda é responsável pela descida do líquido até o mamilo. O estresse pode afetar a produção de ocitocina, consequentemente atrapalhando a amamentação. “O fator psicológico tem um efeito concreto na amamentação”, diz Luciana Herrero.

O leite materno pode ser “fraco”
Mito. O leite materno é composto de 97% de água. Se comparado com o leite de vaca, ou com as fórmulas, ele parece menos denso. Ele é facilmente digerido, e portanto o bebê alimentado com ele pode sentir fome mais rapidamente do que um que ingere leite artificial. Mas isso não significa que o leite materno não seja nutritivo. Pelo contrário. Ele é o único capaz de transferir anticorpos da mãe para o bebê. O leite no início de uma mamada, chamado de “anterior”, é mais “aguado”, mas contém vitaminas, minerais e anticorpos. Após alguns minutos, o leite chamado “posterior” começa a descer. Este é rico em gordura e vai fazer com que o bebê sinta-se satisfeito e ganhe peso. Por isso, é importante oferecer um seio por mamada e trocar de lado apenas quando a primeira mama for esvaziada.

O peito pode empedrar nas primeiras semanas
Verdade. Nos primeiros dias após o nascimento do bebê, o organismo ainda não sabe qual será a demanda da criança, portanto as glândulas mamárias podem produzir leite em excesso. Se o leite empedrar, deve-se fazer a ordenha manual para retirar o excesso, e não usar bombas elétricas (veja vídeo abaixo para saber como fazer a  ordenha). É importante que a mulher aprenda essa técnica ainda durante a gestação, para estar preparada caso precise utilizá-la.

A ordenha manual ajuda na “pega” do bebê
Verdade. Principalmente nas primeiras duas semanas, é importante checar antes de cada mamada se o peito está flexível. Se estiver muito cheio e duro, o bebê terá dificuldade na “pega”, que é o encaixe da boca no peito, o que provoca dor para a mãe e pode até causar rachaduras no bico do seio. A solução está na ordenha manual, um procedimento para retirar o excesso de leite. Veja o vídeo abaixo para aprendê-la.

 

Alimentos como canjica e milho aumentam a produção de leite
Mito. Nenhum alimento é capaz de aumentar a produção de leite. O que ajuda de verdade é beber bastante água, ter uma alimentação saudável, descanso, tranquilidade, acolhimento e apoio da família e do pai da criança.

Cerveja preta aumenta a produção de leite
Mito. O efeito relaxante da bebida até pode ajudar na produção de leite por reduzir o estresse, mas o álcool é totalmente contraindicado para as mulheres que amamentam.

Chocolate provoca cólicas em todos os bebês
Mito. Alguns alimentos ingeridos pela mãe podem provocar desconforto intestinal nos filhos, mas não há uma regra, a não ser em casos específicos de intolerância, quando por exemplo a criança tem alergia à proteína do leite de vaca (APLV). O ideal é que a lactente observe a reação do bebê quando ela comer algo diferente do habitual. Mas é bom lembrar que muitas vezes o choro que parece ser de cólica pode ser causado por outros motivos, e que muitos bebês sentirão dores abdominais independentemente do que a mãe comer, pois esse processo faz parte do amadurecimento do trato gastrointestinal.

Peito pequeno produz menos leite
Mito. O tamanho dos seios é determinado pela quantidade de gordura, mas as células produtoras de leite, as glândulas mamárias, e os ductos por onde o líquido passa, são iguais para todas as mulheres. Quanto mais a mama for sugada, mais leite produzirá.

Cirurgia de redução das mamas pode atrapalhar a amamentação
Verdade. As glândulas mamárias podem ter sua quantidade diminuída nas cirurgias redutoras. É possível amamentar após um procedimento desse tipo, mas talvez a mãe precise de ajuda extra, como a relactação. Essa técnica consiste em usar uma sonda fina colada junto ao seio e conectada a um recipiente com leite artificial (fórmula). Quando o bebê mamar, ele vai sugar o peito e a sonda ao mesmo tempo. Isso serve para que ele se mantenha bem alimentado, caso a produção de leite da mãe seja insuficiente, sem deixar de estimular o seio. Quanto mais ele sugar, mais as mamas produzirão leite.

A mulher que amamenta está protegida de engravidar novamente 
Mito. A proteção só acontece se a mãe estiver amamentando exclusivamente no peito e em intervalos de até 3 horas, inclusive de madrugada. Se algumas mamadas forem mais espaçadas, a mulher pode ovular, mesmo se não estiver menstruando. Ou seja, o método não é 100% eficaz e a lactente corre sim o risco de engravidar se não usar preservativos ou adotar outro método contraceptivo, como DIU, implantes ou pílulas. Mas as pílulas comuns não devem ser usadas, pois podem alterar a produção de leite e transferir hormônio feminino, o estrogênio, para o bebê. Existem medicamentos específicos para essa fase, compostos apenas de progestagênio, que não interferem na amamentação. O ideal é decidir com o ginecologista qual método adotar.

Exercício seca o leite 
Mito. Atividade física não reduz a produção de leite. Se o exercício for muito intenso, a mulher pode produzir ácido lático em excesso, o que altera o sabor do leite. Mas a atividade tem de ser muito extenuante para isso acontecer.

Se a mulher não produz colostro durante a gestação, vai ter problemas para amamentar
Mito. Colostro é um tipo de leite produzido pelas mamas antes do leite de fato começar a descer. Algumas mulheres secretam esse líquido durante a gravidez. A ausência dele durante a gestação não indica que a mãe terá dificuldades na amamentação depois que o bebê nascer.

Toda mulher é capaz de produzir leite.
Verdade. A primeira descida do leite, a chamada “lactogênese primária”, acontece com todas as mães. A manutenção dessa produção é outra história e depende de vários fatores, como o estado emocional da mulher.

As mulheres que passam por cesárea podem demorar mais para produzir leite.
Verdade. O trabalho de parto é importante para o corpo saber que está na hora de começar a produzir leite. Portanto, mesmo nos casos em que a mãe opta pela cesárea, é importante pelo menos esperar as primeiras contrações, se for possível.

Dar mamadeira pode atrapalhar a amamentação.
Verdade. Além da mamadeira exigir menos esforço do que o peito, a maneira de sugar um bico artificial é diferente de mamar no seio. Portanto, misturar a mamadeira com peito pode causar a chamada “confusão de bicos”, que pode acarretar no desmame do peito. Há bebês que alternam o peito e a mamadeira sem problemas, mas essa é a exceção.

 

 

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Amamentação aumenta a inteligência de bebês

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Que o leite materno aumenta a imunidade e ajuda a prevenir doenças muita gente já sabe. Agora, um estudo inédito da Universidade de Pelotas (Rio Grande do Sul) mostrou outros impactos positivos na vida de bebês amamentados exclusivamente no peito durante os primeiros meses de vida.

A pesquisa acompanhou, até os 30 anos, 3.500 mil crianças nascidas em Pelotas. Aqueles que mamaram no peito obtiveram quatro pontos a mais no teste de QI (uma escala que mede a inteligência) e um acréscimo de R$ 341 na renda média na idade adulta quando comparados com indivíduos que não foram amamentados ou que receberam leite materno por menos de um mês.

Esse é o primeiro estudo no mundo a verificar o impacto da amamentação na renda e o primeiro no Brasil a pesquisar a influência do leite materno no QI, e foi publicado na quarta-feira (18) no jornal científico “The Lancet”. De acordo com os dados levantados, os maiores níveis de inteligência e renda média na vida adulta até os 30 anos foram encontrados entre as crianças que mamaram até 12 meses de idade.

Outras possíveis influências, como ter nascido em uma família com maior renda ou escolaridade, foram isoladas no estudo, comprovando, segundo os pesquisadores, que o efeito causado era mesmo devido à amamentação.

“Um mecanismo biológico possível para explicar esse efeito é a presença de ácidos graxos saturados de cadeia longa no leite materno, substâncias essenciais para o desenvolvimento cerebral”, afirmam os autores Cesar Victora e Bernardo Horta no estudo.

Amamentação é um assunto delicado. Ao mesmo tempo em que sua importância é amplamente divulgada, poucos alertam que pode ser um processo difícil no começo. E vejo que muitas mães ficam meio perdidas e desorientadas quando começam a encontrar obstáculos.

Eu mesma enfrentei alguns deles: demorei um pouco até acertar a “pega” da boca dos bebês no peito, senti dores e meu leite empedrou várias vezes. Fora a logística de amamentar gêmeos e o cansaço de levantar várias vezes durante a noite.

Mesmo assim consegui amamentar as crianças até um ano e um mês. Às vezes eu dava uma mamadeira com meu próprio leite tirado com a bomba ou com fórmula (por exemplo, se os dois choravam ao mesmo tempo de madrugada e eu não conseguia me ajeitar para amamentá-los simultaneamente), mas há mães que conseguem amamentar gêmeos exclusivamente no peito. Eu tive sorte: Chico e Manu mamavam super bem de todos os jeitos. Mas oferecer a mamadeira é um risco, porque pode confundir o bebê e atrapalhar a mamada no peito, então não é algo que eu possa recomendar. Funcionou para mim, nas minhas circunstâncias.

Estou contando tudo isso não para desanimar futuras mamães, mas para prepará-las. Amamentar é lindo, é gratificante, mas muitas vezes não é fácil. Se você está enfrentando dificuldades, não demore a pedir ajuda: fale com seu médico, seu pediatra, procure uma enfermeira especializada em amamentação ou um banco de leite, converse com outras mães, procure grupos de discussão sobre o assunto (no Facebook há vários). Ah, e não acredite naquelas pessoas que dizem que leite materno é “fraco” e não sustenta o bebê.

Foto: Aurimas Mikalauskas / 88x31 (1)