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Leitores desde o berço

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Você já leu para o seu bebê hoje? Nunca é cedo demais para apresentar o mundo das letras para o seu filhote. Por volta de seis meses, ou até antes, você já pode começar a oferecer livros para seu filho. Nessa fase, os ideais são os de pano, de plástico macio ou os de papelão grosso, com pontas arredondadas, que eles possam manusear sem se machucar ou rasgar o livro.

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Brincar é coisa séria

As vantagens de ler para bebês são muitas: a atividade incentiva o desenvolvimento da linguagem, mesmo que a criança ainda não seja capaz de falar, e estimula a curiosidade, a capacidade de memória e a habilidade de prestar atenção. Além disso, o momento de leitura pode aprofundar o vínculo entre o bebê e os pais e formar uma associação positiva com os livros que a criança vai levar para a vida.

Mas não precisa encarar a leitura como uma lição de casa ou atividade obrigatória. Ler pode e deve ser uma diversão para o bebê. Eles geralmente adoram ver as figuras, sentir as diferentes texturas exibidas nas páginas (existem livros maravilhosos que usam diferentes materiais para estimular o tato da criança) e aprender o nome dos objetos e animais.

Não precisa também se prender ao texto. Mostre as cores, fale o nome das figuras e invente outras histórias a partir das imagens. Você vai ver que o livro vai se tornar um objeto tão ou mais atraente para o bebê quanto qualquer outro brinquedo.

Fonte: Organização Reach Out And Read

Foto: Erica Firment88x31

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Meu filho ainda não anda. E agora?

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Algumas das dúvidas mais comuns que atingem pais e mães dizem respeito aos marcos de desenvolvimento. Aposto que “quando meu filho vai…(sentar, engatinhar, falar, andar, começar a comer sozinho etc)?” é um tipo de pergunta que aparece a todo momento nos consultórios dos pediatras.

Andar é um dos marcos mais aguardados. Poucas coisas são mais emocionantes do que ver seu bebezinho dando seus primeiros passos.

Um aspecto muito bacana de ter filhos gêmeos é poder observar como cada indivíduo é único e tem seu próprio ritmo. O Francisco deu seus primeiros passos logo que completou um ano, enquanto Manuela começou a andar há pouco tempo, umas duas semanas antes de completar 15 meses. Isso não significa que ela seja atrasada em relação ao irmão. Outros marcos foi ela quem atingiu primeiro, como rolar ou falar a primeira palavra.

Mas, afinal, quando é normal andar? A resposta varia, e é aí que mora a aflição dos pais ansiosos. Alguns bebês já conseguem dar uns passinhos, segurando na mão de alguém, com seis, sete meses de idade. Enquanto uns já andam sozinhos com nove meses, outros só vão fazer isso com mais de um ano.

Veja algumas dicas para lidar com essa expectativa:

Não compare. Pare de se preocupar se o filho de 10 meses do vizinho já anda e o seu de um ano ainda não. Cada um tem seu ritmo. Não tenha pressa, seu bebê tem a vida toda para andar.

Seu filho vai cair. Várias vezes. Tente não parecer muito alarmado para não assustar a criança. E, lógico, tome medidas de segurança, como colocar protetores nas quinas dos móveis e redes nas janelas.

–  Estimule o bebê, sem forçar a barra. Você pode colocar a criança de pé, apoiada no sofá, por exemplo, e chamá-la para andar até onde você está.

– Deixe a criança descalça. Quanto estiver em casa, deixe os pés do seu bebê livres. Ele vai ter mais firmeza e equilíbrio para treinar seus passinhos.

– Não use andadores. O uso desse acessório é contraindiciado pela Sociedade Brasileira de Pediatria por conta do alto risco de quedas, já que ele dá independência à criança justamente em uma fase em que ela ainda não tem noção de perigo. E não adianta muito ficar em cima: estudos mostram que cerca de 70% das crianças que sofreram traumatismos com andadores estavam sob a supervisão de um adulto.

Se a criança não andar até completar um ano e meio, não se desespere, mas converse com o pediatra para checar se está tudo certinho com o desenvolvimento do seu bebê.

Para finalizar, divirta-se com essa compilação de vídeos do YouTube de bebês aprendendo a andar (o próximo vídeo aparecerá na sequência do anterior):

Foto: André Mouraux88x31

 

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5 dicas para uma boa soneca diurna para o seu bebê

Dicas para a soneca do bebê

No post de ontem falamos sobre como as sonecas ao longo do dia são importantes para o aprendizado e a memória do bebê.

Hoje eu vou dar as minhas dicas para um sono diurno gostoso. Lembrando que não sou pediatra e nem pedagoga, essas são as minhas impressões baseadas nas minhas experiências com meus gêmeos (15 meses):

1Estabeleça uma rotina. Isso não significa ter horário certo para tudo, mas procurar seguir sempre a mesma sequência de atividades: dormir, brincar, comer etc…

Uma boa dica de leitura é o livro “A Encantadora de Bebês”, de Tracy Hogg. Não segui à risca tudo o que ela ensina, mas foi importante ler para ter uma ideia de como estabelecer uma rotina.

2 – Tem gente que gosta de ninar o bebê no colo, outros preferem o carrinho, alguns gostam de deitar na cama com o filho e há ainda aqueles bebês que dormem mamando, seja no peito ou na mamadeira. Para mim não há certo e errado nesse quesito. Tente diversos métodos e veja o que funciona melhor para você e seu filho. Os especialistas em sono podem me crucificar, porque a maioria deles acredita que o certo é ensinar o bebê a dormir sozinho. Ok, essa é a situação ideal, mas a teoria pode ser bem difícil de ser aplicada na prática.

Eu acredito que você pode e deve dar a chance do bebe dormir sozinho no berço. Várias vezes, se for preciso. Mas, enquanto ele não aprende, não acho que é um pecado tão grave tentar de outros jeitos. Como mencionei no post anterior, aqui em casa o carrinho é uma maravilha para ninar os dois bebês ao mesmo tempo.

3 – Alguns especialistas dizem que, nas sonecas diurnas, o ideal é manter a claridade do ambiente, para a criança distinguir o dia da noite. Concordo em partes: não precisa deixar o quarto todo escuro, mas fechar uma cortina e não deixar entrar toda a claridade pode criar um clima mais aconchegante.

4 Aprenda a detectar os sinais de sono. Bocejar e esfregar os olhos são os sinais clássicos, mas cada bebê tem suas particularidades. Por exemplo: se o meu filho, Francisco, que é sempre independente e soltinho, começa a pedir colo e chora por qualquer motivo, já sabemos que ele está cansado.

5 – Use músicas de ninar. Pode ser um CD, um aplicativo no celular ou um vídeo com sons relaxantes no YouTube (procure por “canções de ninar” ou “lullabies”). Aqui em casa ajuda MUITO. O que mais usamos aqui em casa é o app “Hora do Sono”, da Johnson (mas infelizmente só tem para iPad ou iPhone).

Foto: Sima Dimitric88x31

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A importância da soneca do bebê

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Como é o sono do seu bebê durante o dia? Aqui em casa é de lei as crianças (15 meses) dormirem no final da manhã (antes do almoço) e também de tarde. O segundo cochilo pode ser logo depois do almoço ou mais para o final da tarde, dependendo de como foi a soneca da manhã e das atividades do dia.

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Leia para o seu bebê

Se eles não dormem direito durante o dia, não tem jeito, ficam super irritados e chorosos. Como são dois bebês, para mim a maneira mais eficiente de embalá-los no sono é balançá-los no carrinho, ou na sala de casa mesmo ou em passeios pelo bairro. E o nosso maior aliado, além do carrinho, é a música de ninar. Principalmente as do aplicativo “Hora do Sono”: usamos todo dia, inclusive para a dormida da noite e quando acordam de madrugada. Não vivemos sem. Às vezes também os ninamos no colo, mas o que mais funciona mesmo durante o dia é o carrinho.

O sono diurno é super importante não apenas para o descanso dos bebês, mas também para o aprendizado e a memória. Um estudo da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, divulgada em janeiro, mostrou que sonecas de meia hora ou mais ajudam crianças entre seis e 12 meses a reterem e lembrarem novos comportamentos ensinados a elas.

Durante a pesquisa, os bebês foram ensinados a colocar e tirar uma luva de um fantoche, e tiveram a oportunidade de repetir a atividade com intervalos de quatro a 24 horas. Aqueles que não haviam dormido logo após o aprendizado não conseguiram repetir a ação aprendida, enquanto o resultado oposto foi observado nas crianças de mesma idade que tiraram uma soneca.

Segundo os autores do estudo, isso mostra que o período logo antes de pegar no sono é excelente para as crianças reterem novas informações. É por isso também que é muito importante para o aprendizado e desenvolvimento infantil ler histórias antes de dormir.

No próximo post vou dar algumas dicas para uma boa soneca diurna.

Foto: Aaron Gilson / by-nd

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Amamentação aumenta a inteligência de bebês

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Que o leite materno aumenta a imunidade e ajuda a prevenir doenças muita gente já sabe. Agora, um estudo inédito da Universidade de Pelotas (Rio Grande do Sul) mostrou outros impactos positivos na vida de bebês amamentados exclusivamente no peito durante os primeiros meses de vida.

A pesquisa acompanhou, até os 30 anos, 3.500 mil crianças nascidas em Pelotas. Aqueles que mamaram no peito obtiveram quatro pontos a mais no teste de QI (uma escala que mede a inteligência) e um acréscimo de R$ 341 na renda média na idade adulta quando comparados com indivíduos que não foram amamentados ou que receberam leite materno por menos de um mês.

Esse é o primeiro estudo no mundo a verificar o impacto da amamentação na renda e o primeiro no Brasil a pesquisar a influência do leite materno no QI, e foi publicado na quarta-feira (18) no jornal científico “The Lancet”. De acordo com os dados levantados, os maiores níveis de inteligência e renda média na vida adulta até os 30 anos foram encontrados entre as crianças que mamaram até 12 meses de idade.

Outras possíveis influências, como ter nascido em uma família com maior renda ou escolaridade, foram isoladas no estudo, comprovando, segundo os pesquisadores, que o efeito causado era mesmo devido à amamentação.

“Um mecanismo biológico possível para explicar esse efeito é a presença de ácidos graxos saturados de cadeia longa no leite materno, substâncias essenciais para o desenvolvimento cerebral”, afirmam os autores Cesar Victora e Bernardo Horta no estudo.

Amamentação é um assunto delicado. Ao mesmo tempo em que sua importância é amplamente divulgada, poucos alertam que pode ser um processo difícil no começo. E vejo que muitas mães ficam meio perdidas e desorientadas quando começam a encontrar obstáculos.

Eu mesma enfrentei alguns deles: demorei um pouco até acertar a “pega” da boca dos bebês no peito, senti dores e meu leite empedrou várias vezes. Fora a logística de amamentar gêmeos e o cansaço de levantar várias vezes durante a noite.

Mesmo assim consegui amamentar as crianças até um ano e um mês. Às vezes eu dava uma mamadeira com meu próprio leite tirado com a bomba ou com fórmula (por exemplo, se os dois choravam ao mesmo tempo de madrugada e eu não conseguia me ajeitar para amamentá-los simultaneamente), mas há mães que conseguem amamentar gêmeos exclusivamente no peito. Eu tive sorte: Chico e Manu mamavam super bem de todos os jeitos. Mas oferecer a mamadeira é um risco, porque pode confundir o bebê e atrapalhar a mamada no peito, então não é algo que eu possa recomendar. Funcionou para mim, nas minhas circunstâncias.

Estou contando tudo isso não para desanimar futuras mamães, mas para prepará-las. Amamentar é lindo, é gratificante, mas muitas vezes não é fácil. Se você está enfrentando dificuldades, não demore a pedir ajuda: fale com seu médico, seu pediatra, procure uma enfermeira especializada em amamentação ou um banco de leite, converse com outras mães, procure grupos de discussão sobre o assunto (no Facebook há vários). Ah, e não acredite naquelas pessoas que dizem que leite materno é “fraco” e não sustenta o bebê.

Foto: Aurimas Mikalauskas / 88x31 (1)

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Brincar é coisa séria

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Você sabe como brincar com seus filhos? Sabe quando deve interferir e quando deixar a criança se divertir sozinha?

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Os primeiros brinquedos do bebê
Sumiu…achou!

Conheça aqui alguns mandamentos para um brincar mais saudável:

– Observe a criança e perceba seu nível de habilidade e interesse em relação àquela brincadeira/brinquedo

– Participe e brinque no mesmo nível da criança.

– Depois de um tempo brincando com seu filho, introduza um nível mais elevado. Por exemplo, se está brincando com uma boneca, comece uma “conversa” entre duas delas. Se estiver brincando de encaixar, mostre como fazer isso com uma peça mais difícil, e assim por diante.

– Após mostrar um conceito novo, afaste-se e deixe a criança brincar sozinha para praticar e aprender.

– Quando a criança já tiver assimilado a nova habilidade, introduza um novo conceito ou nível de dificuldade. Isso pode demorar dias ou meses. O pequeno se sentirá estimulado pelo exemplo da pessoa mais velha.

– Se, ao ser apresentado a um conceito novo, seu filho mostrar-se desinteressado ou impaciente, não force a barra nem tente apressar o aprendizado. A brincadeira deve ser espontânea. Tenha em mente que o ato de brincar ensina hábitos como persistência e determinação, mas ele deve ser divertido.

Fonte: Brian Sutton-Smith (1924-2015), psicólogo especializado em desenvolvimento infantil e professor emérito do Departamento de Educação da Universidade da Pensilvânia (EUA) / Guia dos Brinquedos e do Brincar da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq).

Foto: D Sharon Pruitt / 88x31

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A arte de não fazer nada

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Aqui neste site vamos sempre falar de brincadeiras e atividades divertidas e instrutivas para fazer com as crianças. Mas sabia que também é importante reservar um tempo para não fazer nada?

“As crianças precisam de tempo para olhar e pensar, sem objetivo e compromisso. Até para se entediar”, afirmam Ivan Capelato, David Moisés e Angela Minatti no livro “Prepare as Crianças para o Mundo” (Editora dos Autores, 2006). Essa pausa é importante para os pequenos juntarem imagens, sensações e lembranças que vão gerar símbolos que dão sentido à vida. “É uma experiência que une o mundo concreto e o interno, real e imaginário”, dizem.

O fazer nada é absolutamente necessário para a criança entrar em contato com as suas emoções e a própria solidão, construindo sua individualidade.

É importante também deixar que as crianças observem o jeito como os adultos fazem as coisas: como cozinham, cuidam da casa, conversam uns com os outros, se organizam etc. “É preciso oferecer ocasiões despretensiosas, em que adultos e crianças ficam juntos por ficar, sem programa”, afirmam os autores de “Prepare as Crianças para o Mundo”. Nesses momentos os filhos imitam, buscam formas de se identificar com os adultos e colhem material para formar uma memória afetiva.

Importante lembrar sempre disso para não sobrecarregarmos nossos pequenos com mil atividades e brinquedos, não é?

Foto: by-sa