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A importância do brincar para o desenvolvimento infantil

Talvez não seja exagero afirmar que o brincar é a atividade mais importante na vida de uma criança. Afinal, é através da brincadeira que a criança aprende sobre o mundo onde ela vive, aprende a socializar e se expressa. O assunto foi debatido por especialistas reunidas em evento na seda da na fábrica de brinquedos Estrela, no final de setembro.

Segundo Fernanda Monteiro, terapeuta ocupacional, especialista em desenvolvimento infantil na empresa Stimullus, e autora do livro “Super Gênios”, brincar desenvolve todas as habilidades que uma criança vai precisar pela vida toda: sensoriais, motoras, sociais, emocionais, linguagem e até conceitos matemáticos. “O brinquedo é uma ferramenta para concretizar o que tem na imaginação”, diz.

Além disso, o modo como os pequenos brincam são um reflexo do nível de maturidade deles, e é importante para os pais prestarem atenção nisso. “Conforme a brincadeira muda, podemos acompanhar o crescimento e a evolução dos nossos filhos”, diz Fernanda.

Entre zero e dois anos, o brincar se dá principalmente pelo estímulo sensorial, táctil. É por isso que, nessa idade, é tão comum que os bebês joguem os brinquedos no chão. Isso não é sinal de birra e também não demonstra que a criança não sabe brincar. É um comportamento normal.

Conforme a criança vai crescendo, ela vai se interessando por outros tipos de brincadeira. Blocos de montar, peças de encaixar, bonecas, faz de conta, ler, massinha, desenhar, pintar, fazer colagem, picar papel, contar histórias, parquinho, teatrinho, carrinho, quebra-cabeça, bichos de pelúcia…Para Maria Fernanda Oberling, fonoaudióloga na clínica Alcance, todo e qualquer brinquedo pode ajudar a estimular o desenvolvimento. E ela dá uma dica: “quando apresentar um brinquedo novo para a criança, deixe-a explorá-lo com calma, sem pressa. Só depois mostre como se brinca com aquilo”, diz.

É importante que os pais brinquem junto com a criança também. Isso ajuda na formação da autoestima, pois ela se sente olhada pelos adultos. Uma dica é perguntar para o próprio filho do que ele quer brincar e pedir para que ele decida as regras. Jogos competitivos, por exemplo, são ótimos para aprender a trabalhar em equipe, lidar com regras, desenvolver resiliência e aprender a lidar com frustrações.

A fonoaudióloga Camila Mercatelli, também da clínica Alcance, destaca como as brincadeiras são muito importantes para estimular a comunicação. Quando as crianças ainda são bem pequenas, observe se ela olha quando você chama e quais são as reações dela quando você conversa, por exemplo. “E também preste atenção na entonação. Use variações de tons e deixe clara a intenção do seu discurso”, diz.

Trabalhar bem a comunicação é algo que vai se refletir lá na frente, na vida adulta da criança. Camila, que trabalha com treinamentos em empresas, conta que sempre detecta dificuldades entre os profissionais em se comunicarem com clareza durante as atividades que aplica dentro das companhias.

A terapeuta ocupacional Fernanda Monteiro ressalta que a atividade de brincar pode acontecer a qualquer momento e não precisa ter hora marcada. “Pode ser na hora de comer, ou durante o banho”, diz.

Mas os pais precisam aprender a abandonar a afobação. “Há uma ansiedade generalizada, os pais pedem listas de brinquedos para estimular as crianças em casa e têm uma ansiedade pela alfabetização”, diz. “Muitos pais tiram os filhos da escola porque lá eles ‘só brincam’. As pessoas não têm consciência da importância do brincar, e sentem preocupação com o futuro”, completa Fernanda.

Quando trabalha junto a escolas, Maria Fernanda orienta as instituições a dedicarem tempo de brincadeira para os alunos. Isso ajuda até a resolver problemas que aconteciam em sala de aula. “Os pais deixam de mandar para terapia crianças que antes seriam encaminhadas para isso”, afirma.

Outro ponto importante para o brincar é ter um espaço amplo para a atividade. “A amplitude de visão é importante, assim como pisar na grama e na areia”, diz Fernanda. Ou seja, o recado está dado: é preciso tirar as crianças de casa. Para quem mora em apartamentos ou casas pequenas, é necessário procurar espaços públicos, como parques e praças, para oferecer todo o espaço necessário para as crianças se desenvolverem adequadamente.

Outra medida que deve ser considerada é limitar o tempo de tela dos filhos. E o dos adultos também. Estamos viciados em nossos celulares. Nosso limiar de atenção diminuiu e estamos desaprendendo a esperar – e também a brincar com as crianças sem correria. “Nosso sistema cerebral quer novidade”, diz Fernanda. “Na internet, no celular, tem novidade o tempo todo. É diferente de brincar com o filho, que é algo que a gente já conhece”, afirma. Quer dizer, mesmo que achemos tedioso repetir aquela brincadeira pela milésima vez, é preciso fazer um esforço para nos concentrarmos naquela atividade que está acontecendo no momento e na conexão que ela proporciona com nossos filhos. A família toda ganha com isso.

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Você sabe o que é parentalidade positiva?

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Quando uma mulher engravida, a família se preocupa com o enxoval, com a preparação do quarto, faz fotos do barrigão, lê livros e blogs sobre maternidade. Aí o bebê nasce e, muitas vezes, vem o desespero: como lidar com aquele filho? “Por mais que a gente estude, ninguém está pronto para ter filho”, disse a educadora parental Luanda Fonseca em evento promovido pela Huggies nesta quarta-feira (23) para marcar o Dia do Abraço, comemorado no dia 22.

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Para Luanda, é quando o bebê cresce um pouco e vira uma “mini pessoa”, com vontades, birras e contrariedades, que os adultos mais precisam aprender a lidar com seus demônios, suas dificuldades e seu desequilíbro.

Segundo a educadora, existem dois modelos mais frequentes de criar filhos. O modelo autoritário, que usa de ordens e agressões físicas e verbais e, na outra ponta, o permissivo, com pais que têm dificuldade em frustrar seus filhos e em delinear limites. “Esses pais se sentem sempre culpados, em falta com a criança”, diz Luanda.

Muitos pais vivem em uma montanha-russa. Sem conseguir colocar limites, partem para os gritos e castigos. Na sequência vem a culpa, e aí segue-se a permissividade. “Aí a montanha-russa vira algo impossível de se administrar”, diz a educadora.

Mãe de quatro filhos, Luanda vivia nessa montanha-russa quando decidiu procurar um caminho do meio e estudar a parentalidade positiva, que propõe uma vida em família mais leve, prazerosa e equilibrada.

Na parentalidade positiva não existem fórmulas. “Não existem ‘cinco ferramentas para acabar com a birra’ ou ‘11 passos para criar crianças felizes’”, afirma Luanda. O que existe nesse caminho do meio é ouvir a criança. É delimitar espaços e margens seguras, mas com firmeza e gentileza, e deixar de lado os castigos. “Castigo não resolve. Pode eventualmente parar um mau comportamento, mas não ensina. Castigo é imposição de poder, uma necessidade do adulto mostrar quem manda. Se voltarmos à nossa infância, veremos que não foi com castigos e palmadas que aprendemos”, diz.

Para a educadora, a parentalidade positiva é transgressora e pode causar confusão, no início. “Os pais se sentem perdidos e se perguntam como vão ensinar a criança sem usar o castigo”, diz Luanda. “Existe uma frase de Jane Nelsen (psicóloga que desenvolveu o conceito de disciplina positiva) que diz assim: ‘de donde tiramos a ideia de que, para a criança se comportar bem, é preciso fazer ela se sentir mal?’”. Para Luanda, de alguma maneira torta fomos levados a acreditar que passar raiva e frustração adiante faz mais sentido do que dar amor.

De acordo com a parentalidade positiva, a criança vai aprender com amor, nos gestos e na fala do adulto, e quando nos comunicamos com os pequenos usando a nossa melhor capacidade. Esse processo passa não gritar, acolher e reconhecer os sentimentos da criança, não diminuir as queixas e frustrações dos filhos e usar muito contato físico. “Abraço é diálogo. Quando a gente abraça, nos redemos, comunicamos que está tudo bem e podemos começar de novo”, diz Luanda.

Porém, a educadora destaca que parentalidade positiva não é passar mão na cabeça da criança e deixar ela fazer o que quiser. “Estabelecer limites é importante. Rio sem margem transborda, e rio com margens muito estreitas é apenas um riacho”, afirma.

A teoria na prática
O conceito de parentalidade positiva é muito bonito e inspirador. Mas como aplicar suas ideias na prática?

Vamos a um exemplo: você está no supermercado ou no shopping com seu filho e ele (a) começa a fazer um escândalo porque quer comprar um produto que você não quer levar para casa.

Em vez de gritar ou ameaçar colocar a criança de castigo, um caminho do meio seria acolher a criança, abraçá-la, dizer que entende a frustração dela e explicar por que você não vai comprar aquele produto.

A neuropediatra Karina Weinmann, também presente no evento, dá outros exemplos de reforço positivo na educação de um filho. “Se a criança bater no irmão, em vez de dizer ‘não bata!’, diga ‘faça carinho no seu irmão’”, diz. Ou, se a criança estiver mexendo num interruptor de luz, em vez de dizer “não mexa aí”, diga algo como “apague e luz”, ou “acenda a luz”. “Sempre explique o ‘não’”, afirma Karina.

Foto: Simon Kellogg / CC download

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Lugar de criança é na rua

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Na semana passada o jornal Folha de São Paulo publicou uma entrevista com a urbanista espanhola Irene Quintáns a respeito da importância de caminhar na rua para o desenvolvimento infantil.

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Em busca da escola ideal

Irene define a rotina da maior parte das crianças moradoras de grandes cidades como viver em “caixinhas”. Os pequenos saem de casa, que é uma caixinha, entram no carro ou na perua escolar, que é outra caixinha, e vão para a escola, que é uma outra caixa. Lá, muitas vezes têm pouco tempo para brincar livremente ou fazer atividades ao ar livre. Depois da escola, voltam para dentro de casa e continuam em um ambiente fechado.

Segundo a urbanista, caminhar na rua traz muitos benefícios, como combate ao sedentarismo, exposição à luz solar, consciência sobre problemas sociais, sensação de pertencimento e despertar da vontade de cuidar do próprio bairro e da cidade e aguçamento da percepção visual e da noção de espaço.

Na edição de hoje do mesmo jornal, a psicóloga Rosely Sayão faz coro a Irene e defende que a criança ocupe espaço nas ruas. E o primeiro passo para isso é o caminho até a escola. “No trajeto de casa para a escola de carro, eles (as crianças) não têm a oportunidade de conhecer a cidade com mais intimidade com seus habitantes, tão diversos! Ficam imersos em um mundo irreal, uniforme, que nunca irão encontrar quando crescerem e tiverem autonomia para ir e vir”, afirma.

Rosely menciona também um projeto bem bacana, o “Carona a Pé”, que tem como objetivo reunir grupos de crianças que moram próximas para caminharem juntas até a escola, com o acompanhamento de um ou mais adultos responsáveis por elas, que se revezam nessa função.

Concordo plenamente com as duas. Acho super importante que as crianças tenham esse contato com a rua, com a cidade, com as pessoas, por todos esses motivos citados. Esse foi um dos quesitos que mais pesaram na escolha da escola dos meus filhos: a curta distância entre ela e a nossa casa, justamente para podermos ir a pé.

Andando a pé as crianças observam o mundo e interagem com outras pessoas. Nós conhecemos todas as lojas e comerciantes do nosso pedaço, paramos para conversar, brincamos com os cachorros que passeiam e com os bebês nos carrinhos. Os pequenos reparam nas árvores, nas folhas, nos buracos, bueiros, pegam florzinhas para levar para as professoras e até conseguem observar insetos como borboletas, abelhas, besouros, formigas…antes de ter filho eu nem reparava nessas coisas.

Acredito no que Irene diz, que se a criança não se sente pertencente ao seu bairro e à cidade, é mais difícil ensinar noções de cidadania e até coisas simples, como não jogar o lixo na rua. A urbanista não gosta que digam que a criança é o cidadão do futuro, já que ela é um cidadão de hoje, de ontem e de amanhã.

Assino embaixo e pretendo continuar caminhando cada vez mais com meus filhos. Se você não tem essa opção de colocar os filhos em uma escola bem próxima de casa, que tal andar com eles na rua em outros momento, ou nos finais de semana?

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Deixar ou não o bebê chorar?

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Se você é mãe ou pai, é bem provável que já tenha ouvido alguém te aconselhar a não dar muito colo para o seu bebê, para ele não ficar “mal acostumado”. Ou para não pegar seu filho imediatamente quando ele começa a chorar, pois ele precisa “aprender a esperar”.

Esse é um dos temas mais polêmicos da maternidade: deixar ou não o bebê chorar?

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Para o pediatra espanhol Carlos Gonzalez, um dos mais conhecidos do mundo, a resposta é um sonoro “não!”. O médico estará em São Paulo para um dia inteiro de palestras no próximo sábado, dia 19. Durante o encontro, o médico vai falar sobre as necessidades afetivas da criança e sobre alimentação infantil. Clique aqui para ver a programação e consultar os valores dos ingressos.

Gonzalez é um dos maiores defensores atuais da “criação com apego”, um estilo de criar os filhos que preconiza muito contato físico e um relaxamento nas regras, proibições e imposição de limites na maternidade.

Para conhecer sua linha de pensamento, a melhor porta de entrada é o livro “Besame Mucho” (Editora Timo), lançado em 2015 no Brasil. Gonzalez acredita que nossa sociedade moderna é muito pouco tolerante às mães e às crianças, e desenvolve seu raciocínio em torno dos três grandes grupos de tabus modernos em relação à criação dos filhos:

1 – Os relacionados com o choro: é proibido dar atenção a crianças que choram, pegar-lhes no colo e dar-lhes aquilo que querem.

2  – Os relacionados com o sono: é proibido fazer as crianças dormirem no colo ou mamando, cantar ou embalá-las para que adormeçam. Também é proibido dormir com elas.

3 – Os relacionados com a amamentação materna: é proibido amamentar a qualquer momento, em qualquer lugar; ou amamentar uma criança muito crescida.

Conforme aponta o pediatra, esses tabus têm uma coisa em comum: proíbem o contato físico entre mãe e filho.

Segundo Gonzalez, em uma situação normal, quando a mãe desfruta da liberdade de cuidar do filho como julga melhor, o bebê chora pouco e, quando chora, a mãe sente pena e compaixão. Mas quando a proíbem de pegar o filho no colo e dormir com ele, amamentá-lo ou consolá-lo, a criança chora mais e a mãe vive esse choro com impotência e, em longo prazo, com raiva e hostilidade.

“Todos estes tabus e preconceitos fazem as crianças chorar e também não fazem os pais felizes. A quem satisfazem então? Talvez a alguns pediatras, psicólogos, educadores e vizinhos que os defendem? Eles não têm o direito de lhe dar ordens, de lhe dizer como deve viver a sua vida e tratar o seu filho”, defende o pediatra.

Para Carlos Gonzalez, ninguém vai “estragar” os filhos se derem muito colo a eles, os consolarem quando estiverem tristes, não importa o motivo, ou os deixarem dormir na mesma cama. Pelo contrário, essas atitudes ajudariam a criar crianças mais seguras.

Choro 
Gonzalez explica, em “Besame Mucho”, que o imediatismo é uma das características do

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O pediatra Carlos Gonzalez

choro infantil que surpreende e aborrece algumas pessoas. Afinal, basta deixar o bebê no berço que ele começa a chorar como se o estivessem matando. “Para alguns especialistas em educação, esta constitui uma característica desagradável do caráter infantil e o objetivo é vencer o seu egoísmo e teimosia , ensinar-lhe a atrasar a satisfação dos seus desejos.”, diz.

Mas o choro imediato é o comportamento que a seleção natural favoreceu durante milhões de anos, porque facilita a sobrevivência. “Numa tribo, há 100.000 anos, se um bebê separado da mãe chorasse imediatamente e a plenos pulmões, a mãe provavelmente iria buscá-lo de imediato (…) o choro do filho desencadeava nela um impulso forte, irresistível, de acudi-lo e confortar. Mas se um bebê se mantivesse calado durante quinze minutos e depois começasse a chorar baixinho e apenas chorasse a plenos pulmões ao fim de duas horas, a mãe podia encontrar-se já demasiado longe para o poder ouvir. Esse grito tardio já não teria qualquer utilidade para a sua sobrevivência”, afirma o pediatra.

Ora, um bebê é muito pequeno para saber se sua mãe vai voltar ou não quando essa sai do seu quarto e o deixa no berço sozinho. “O seu comportamento automático, aquele que herdou dos seus antepassados ao longo de milhares de anos, será começar a pensar sempre no pior. Cada vez que se separa de você, seu filho irá chorar como se a separação fosse para sempre.”, diz Gonzalez.

Tudo bem, não vivemos mais em tribos e um bebê deixado sozinho em um berço não corre o risco de ser devorado por um predador. Mas o comportamento instintivo permanece. “Quando a leitora deixa o seu filho no berço, sabe que ele não vai passar frio ou calor, que o teto o protege da chuva e as paredes, do vento, que não será devorado por lobos ou por ratos, nem picado por formigas; sabe que estará apenas a alguns metros, no quarto ao lado, e que acudirá prontamente ao menor problema”, diz Gonzalez. Mas o bebê não sabe disso, explica o pediatra, e reage exatamente como teria reagido um bebê do Paleolítico. “O seu pranto não responde a um perigo real, mas a uma situação, a separação, que durante milênios significou invariavelmente perigo”, diz.

À medida que vai crescendo, afirma o médico, o seu filho irá aprendendo em que caso a separação comporta um perigo real e em que caso não tem qualquer importância. A criança poderá ficar tranquilamente em casa enquanto a mãe ou o pai vai às compras, mas começará a chorar se estiver perdido no supermercado. “Mas não será porque você, seguindo os conselhos de um livro qualquer, lhe ensinou a adiar a satisfação de seus caprichos”, afirma Gonzalez.

É claro que existem profissionais que pensam de forma diferente e acreditam que deixar o bebê chorar no berço e não pegá-lo no colo não causa traumas ou problemas futuros. Você poder ler algumas dessas opiniões distintas aqui e aqui.

Aqui em casa sempre fomos mais adeptos da criação com apego, mesmo quando ainda não conhecia esse termo. Nunca conseguimos deixar as crianças chorando no berço, sempre nos pareceu mais natural acalentá-las quando estavam incomodadas com alguma coisa. Eu, particularmente, não acredito que um bebê de meses é capaz de fazer manha ou usar o choro para manipular os pais. Bebês gostam de contato físico, de colo, e é claro que vão pedir por isso da maneira mais eficiente como sabem se comunicar: chorando.

Até hoje, com quase três anos, meus filhos gostam muito de colo, e nós damos sempre que pedem. E nem por isso eles são crianças inseguras ou grudadas demais comigo ou com o pai. Pelo contrário, são alegres, carinhosas, espertas e bem educadas (é claro que muitas vezes desobedecem ou fazem birra e malcriações, como qualquer criança, mas acredito que sejam  emocionalmente muito saudáveis).

E você, prefere seguir qual linha de criação? Pega seu filho no colo ao menor sinal de choro ou deixa o bebê chorar um pouco para se acostumar a ficar/pegar no sono sozinho? Compartilhe suas experiências nos comentários.

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Dicas para fazer a transição do berço para a cama

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Como eu falei em um texto anterior, o período que vai dos dois aos três anos é cheio de mudanças na vida de uma criança. Geralmente é com essa idade que a fala se desenvolve bastante, que a criança deixa de usar fralda e, muitas vezes, larga a chupeta e a mamadeira.

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Também é mais ou menos nessa idade que as crianças costumam deixam o berço e passam a dormir na cama. Veja nossas dicas de como passar por mais essa mudança da forma mais tranquila possível.

– Se você, que está lendo esse texto, ainda está grávida, considere comprar um berço que se transforma mais tarde em mini cama. Existem vários modelos desse tipo no mercado. Nós optamos por ele porque assim estendemos a vida útil do móvel. As mini camas poderão ser usadas até uns cinco anos, mais ou menos, dependendo do tamanho da criança.

– Se você vai comprar um móvel novo, você pode optar ou por uma mini cama, ou por uma cama de solteiro normal. A mini cama ocupa menos espaço, é mais aconchegante e aproveita o mesmo colchão do berço. Já a cama de solteiro pode ser uma boa opção para crianças muito grandes e vai ser aproveitada por muitos anos. Vai depender do seu gosto e necessidade.

– Não tem idade certa para passar para cama. Geralmente os pais fazem isso quando percebem que a criança é capaz de saltar do berço e está colocando sua segurança em risco. Fique atento aos sinais e faça a mudança antes que um acidente aconteça. Foi isso o que aconteceu aqui com meus gêmeos de dois anos e cinco meses. Começamos a perceber que eles estavam ameaçando escalar as grades (principalmente o menino, que é maior), então achamos melhor fazer logo a transição.

– Antes de trocar o berço pela cama, avise a criança sobre o que você vai fazer com alguns dias ou semanas de antecedência. Converse bastante, explique que ela está crescendo e vai precisar de mais espaço. Repita essas informações várias vezes. De jeito nenhum faça a transição do dia para a noite, sem avisar antes.

– Considere começar a transição em um fim de semana. Pode ser que seu filho estranhe a nova cama e acorde durante a noite, ou chore, e vai ser mais fácil lidar com essa situação se você não tiver que acordar cedo para trabalhar no dia seguinte.

– Escolha uma cama com proteção ou compre grades móveis para garantir que a criança não caia.

– Geralmente a criança demora uns dias para perceber que agora ela pode sair da cama sozinha. Aqui a situação é curiosa: faz um mês que fizemos a transição e o menino já sai sozinho quando acorda de manhã. Já a menina não, sempre que ela acorda ela nos chama para tirá-la da cama. É importante deixar o caminho livre de objetos perigosos e lembrar que seu filho pode ficar à solta pela casa sem você perceber. Por exemplo, deixe a porta dos banheiros trancadas, tomadas protegidas e gavetas trancadas ou com travas, se você ainda não tomou essas medidas na sua casa.

– Tenha paciência se a criança ficar saindo da cama toda hora. Coloque-a de volta, converse, mas sem se alterar. Se ela perceber que esse comportamento chama muito a atenção dos pais (seja de forma positiva ou negativa), ela tende a querer repeti-lo.

– Se a transição estiver difícil, vale tentar deixar a cama mais atraente. Coloque os bichos de pelúcia favoritos na cama, ou compre roupas de cama de personagens dos quais seu filho gosta. Ou leve a criança para ela mesma escolher seus novos lençóis.

Foto: Juliana Tiraboschi / Todos os direitos reservados

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Estreia documentário sobre a importância da primeira infância

Estreia nesta quinta-feira, em circuito nacional, o documentário “O Começo da Vida”. O filme, dirigido por Estela Renner, trata da importância dos primeiros anos de vida. A produção traz depoimentos de especialistas e famílias sobre como a primeira infância é essencial para o futuro. As histórias são retratadas em nove países: Brasil, Argentina, Canadá, China, Estados Unidos, França, Índia, Itália e Quênia.

O filme parte do princípio de que os bebês são os melhores “cientistas” do mundo, absorvendo todas as informações que encontram pela frente e explorando o ambiente ao seu redor. A produção mostra que as crianças pequenas aprendem sobre a vida e o mundo principalmente a partir da interação com outros seres humanos, especialmente com a família.

Veja o trailer do filme:


A produção convida à reflexão: estamos cuidando bem desse período tão importante, que define tanto o presente quanto o futuro da humanidade? “Queremos que o filme seja um agente de transformação e uma ferramenta para os pais”, disse Luana Lobo, sócia e diretora de distribuição da Maria Farinha Filmes, responsável pelo documentário, em encontro com jornalistas nesta quarta-feira.

Segundo Luana, a produtora teve a preocupação de convidar diversas empresas para apoiarem o filme com o objetivo de conscientizarem o mundo empresarial para a importância da primeira infância, já que uma das maiores dificuldades dos pais e mães modernos é conciliar a vida profissional com os cuidados com os filhos. “As empresas têm de ser parte desse movimento de transformação”, disse.

Um dos aspectos mais interessantes do filme é mostrar contrastes e semelhanças entre realidades completamente distintas. “Você vê o depoimento da Gisele Bündchen e de uma mãe que vive em uma ocupação, e ambas criaram o mesmo vínculo afetivo com seus filhos”, disse Ana Estela Haddad, coordenadora da São Paulo Carinhosa, ação da prefeitura da capital voltada ao desenvolvimento da primeira infância.

A Maria Farinha firmou parceria com a São Paulo Carinhosa para promover exibições gratuitas e abertas ao público, com foco em educadores, agentes de saúde, conselheiros tutelares e famílias. “O filme resgata o lugar da família, e não necessariamente em sua configuração tradicional”, disse Ana Estela.

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Luana Lobo, Ana Estela Haddad e Maria do Rosário Ramalho, secretária de Cultura de São Paulo 

Para Luana, como o filme faz parte de um movimento social, a ideia é fazer o documentário chegar ao máximo de lugares possíveis, daí a parceria com a São Paulo Carinhosa. “Somente 10% das cidades no Brasil têm cinema e apenas 1% das salas está na periferia”.

Além das exibições promovidas pela prefeitura de São Paulo, o filme poderá ser visto gratuitamente em diversas salas comerciais de cinema, como Itaú Cinemas e Cinemark, que promoverão sessões abertas do filme até o dia 8.

O público das cidades onde o documentário não está em cartaz nos cinemas poderá ver o longa por meio da plataforma online Videocamp.

“O Começo da Vida” tem apoio da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, da Fundação Bernard Van Leer, do Instituto Alana e da Unicef.

A produtora Maria Farinha Filmes também é responsável por outros filmes com temática relacionada a infância, como “Criança, a Alma do Negócio”, “Muito Além do Peso”, “Tarja Branca – A Revolução que Faltava” e “Território do Brincar”.

Saiba onde assistir ao filme gratuitamente:

– PROGRAMAÇÃO DAS SESSÕES GRATUITAS EM CINEMAS COMERCIAIS

– LANÇAMENTO DO LONGA “O COMEÇO DA VIDA”
Quinta-feira, 5 de maio, às 15h
CEUS Butantã, Meninos, Jaçanã, Quinta do Sol, São Rafael, Capão Redondo, Parque Veredas Vila Rubi. Todas as sessões serão seguidas por debates. Veja endereços e programação aqui.
Presença da diretora do filme, Estela Renner, e Ana Estela Haddad, coordenadora da São Paulo Carinhosa, na exibição no CEU Veredas.
Rua Daniel Muller, 347, Itaim Paulista
ATENÇÃO: Retirar os ingressos uma hora antes; sujeito a lotação da sala

– CINE DIREITOS HUMANOS
Sábado, 7 de maio, às 11h
Shopping Frei Caneca – Espaço Itaú de Cinema
Rua Frei Caneca, 569
ATENÇÃO: Retirar os ingressos uma hora antes; sujeito a lotação da sala.

– CINE DIREITOS HUMANOS
Quarta-feira, 11 de maio, 19h
Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes
Avenida Inácio Monteiro, 6900, Cidade Tiradentes
ATENÇÃO: Retirar os ingressos uma hora antes; sujeito a lotação da sala

Acesse o site oficial do documentário para saber onde mais o filme estará em cartaz, em todo o país.

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Carinho e atenção ajudam no desenvolvimento cerebral das crianças

Um estudo da Universidade de Washington sugere que receber carinho e atenção das mães na primeira infância estimula um crescimento maior no hipocampo, área do cérebro associada ao aprendizado, memória e resposta ao estresse.

O estudo foi publicado na semana passada na edição online na revista acadêmica Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os pesquisadores estudaram uma série de exames cerebrais de crianças, da idade pré-escolar até a adolescência, e encontraram um aumento significativo no volume do hipocampo das crianças cujas mães davam mais apoio a elas.

Essa pesquisa é a continuação de um estudo que já havia encontrado ligações entre o carinho materno e um hipocampo aumentado. Nessa nova etapa, 127 crianças foram submetidas a exames de ressonância magnética do momento em que começaram a frequentar a escola até o início da adolescência.

Para medir o nível de apoio oferecido os pesquisadores observaram a interação entre as mães e seus filhos durante uma tarefa. As crianças recebiam um presente, mas só podiam abrir o embrulho depois que a mãe terminasse de preencher um longo formulário.

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Pesquisadora observa interação entre mãe e filho

As mães que conseguiram realizar sua tarefa enquanto aplacavam a ansiedade dos filhos, dando atenção a eles de forma carinhosa, foram consideradas as que mais deram apoio, e suas crianças foram as que apresentaram o hipocampo aumentado. “Essa é uma situação que gera estresse, como outras que acontecem várias vezes ao dia, como quando as mães estão cozinhando e a criança quer atenção”, afirma a psiquiatra Joan Luby, autora principal do estudo.

“A relação dos pais com os filhos nesse período pré-escolar é vital, ainda mais importante do que quando a criança é mais velha”, diz Luby. “O cérebro das crianças mais novas tem mais plasticidade, o que significa que ele é mais afetado pelas experiências no início da vida”, afirma.

Minha única ressalva a esse tipo de estudo é que geralmente ele é feito apenas com as mulheres. Por mais que os pesquisadores ressaltem que a interação com os pais também é importante, esse tipo de pesquisa acaba colocando mais pressão ainda sobre as mães e as responsabilizando de maneira desigual pelo desenvolvimento pleno dos filhos.

Portanto, pais, aproveitem essa notícia para vocês também darem muita atenção e carinho para seus filhos.