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Tire suas dúvidas sobre terror noturno

Terror noturno

É uma cena assustadora: a criança, que dormia tranquilamente, de repente começa a chorar desesperadamente e a se debater. Os pais, atônitos, tentam acalmar ou despertar o filho, mas ele continua a gritar durante minutos que parecem uma eternidade.

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Geralmente é assim que o terror noturno se manifesta. Mas, diferentemente do que muita gente pensa, esse distúrbio não tem nada a ver com pesadelos.

Na maioria dos casos o problema aparece em crianças entre 4 e 12 anos e some na adolescência, embora atinja pessoas de todas as idades, incluindo bebês. Geralmente acontece no início da noite e as crises costumam durar de 1 a 10 minutos, de acordo com Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria.

Para esclarecer as causas e tratamentos para os terrores noturnos, o Cabeça de Criança conversou com o psiquiatra americano Carlos H. Schenck, professor da Universidade de Minnesota (EUA) e co-presidente do Comitê de Parassonias (transtornos do sono caracterizados por movimentos e atividades físicas) da Classificação Internacional de Distúrbios do Sono, documento que é a bíblia dos médicos especialistas no assunto. Schenck é autor de vários livros sobre distúrbios do sono e recebeu um prêmio da Academia Americana de Medicina do Sono em 2007 por suas contribuições na área.

O psiquiatra estará no Brasil para o Congresso Internacional do Cérebro, Comportamento e Emoções, que acontece entre os dias 29 de abril e 02 de maio em Porto Alegre. Veja o que o especialista tem a dizer sobre o assunto.

DEFINIÇÃO
O terror noturno agora é chamado oficialmente de “terror do sono”. Ele é classificado como uma desordem do despertar do sono “não-REM”, assim como o sonambulismo. Essa é a fase de ondas lentas, na qual se encontra o período de sono mais profundo e cujo propósito é conservar energia e restaurar os tecidos e órgãos das atividades do dia anterior.

Os terrores do sono não têm a ver com pesadelos. Eles ocorrem em uma fase do dormir em que não há sonho. É uma desordem fisiológica, não psicológica.

Carlos H. Schenck, terror noturno

Carlos Schenck, especialista em terror noturno

SINTOMAS
O que acontece durante um episódio é que, no momento mais inapropriado, quando a criança está em sono profundo e tranquilo, um “alarme” soa no cérebro, e surgem o medo intenso, os gritos e manifestações intensas do sistema nervoso autônomo, o que provoca taquicardia, respiração ofegante, pupilas dilatadas e transpiração. Esse sistema cerebral é primitivo e está ligado a situações de perigo, em que a pessoa precisa lutar ou fugir para sobreviver.

Durante uma crise, o paciente encontra-se em um estado entre o sono e a vigília, sem despertar completamente. Ele pode até sair da cama e correr, como se “fugisse” para um local seguro, o que pode gerar acidentes e situações perigosas, como sair de casa em um estado de sonambulismo.

CAUSAS
Não há uma causa definida para os terrores do sono. Frequentemente há um histórico familiar entre pacientes, não apenas deste distúrbio, mas de outras parassonias, como o sonambulismo.

A imaturidade cerebral também tem um papel importante, porque ela está relacionada a períodos mais longos de sono de ondas lentas na primeira infância, e é nesse estágio do sono que o terror se manifesta. O distúrbio se torna menos comum na puberdade, mas ainda pode ocorrer.

Estudos cerebrais em pessoas que sofrem de terrores do sono mostram uma instabilidade durante o sono de ondas lentas. Isso significa que, em vez de o sono ser contínuo, há interrupções repentinas. Mas o motivo pelo qual essas interrupções provocam as crises é desconhecido.

Em crianças maiores e adolescentes, os fatores mais comuns de precipitação do distúrbio são: ter uma rotina irregular de sono, não dormir horas suficientes e a presença de problemas respiratórios, como apneia, decorrente de obesidade ou de adenoides (glândulas localizadas atrás das cavidades nasais) e amígdalas aumentadas. Estresse também pode ser um gatilho.

Há alguns medicamentos e condições neurológicas raras que podem causar terrores do sono em adultos, então uma pessoa que sofre de crises recorrentes deve passar por uma avaliação neurológica. Se os episódios começaram logo depois que a pessoa passou a tomar um novo medicamento, o paciente deve reavaliar o tratamento com seu médico.

TRATAMENTO
Quando uma crise acontece, os pais devem simplesmente abraçar gentilmente o bebê ou a criança, sussurrar no seu ouvido ou cantar e niná-lo até ele se acalmar. A criança não retém memória dos episódios, então os pais não devem discuti-los na manhã seguinte.

Para casos de crises recorrentes, há uma técnica chamada “despertar programado”, que consiste em observar em qual horário da noite a criança costuma sofrer os episódios e acordá-la cerca de 10 a 15 minutos antes. Um estudo do pesquisador Bryan Lark, do Hospital Great Ormond Street , Inglaterra, aplicado a 19 crianças, mostrou que essa técnica foi capaz de interromper os episódios depois de uma semana.

Nos casos em que o estresse é um fator desencadeante, tratamento psicológico pode ser indicado. Cirurgia nas adenoides ou amígdalas também é uma opção, caso elas sejam o motivo da apneia. Treinamento em auto-hipnose também pode ajudar.

Em alguns casos, nos quais o paciente corre o risco de se machucar, medicações traquilizantes e ansiolíticas podem ajudar a curto prazo, até que outros fatores desencadeadores sejam controlados.

SEQUELAS?
Os terrores noturnos geralmente são benignos, apesar dos sintomas desagradáveis, como os gritos, choro e sentimento de medo. Não há sequelas.

Assista a uma palestra de Carlos Schenck sobre distúrbios do sono (em inglês):

Foto criança: Raúl A. / cc

Foto Carlos Schenck: Thomas Strand

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Lugar de bebê é no chão

Bebes brincando

Hoje li uma entrevista de Paulo Fochi, coordenador e professor do curso de especialização em Educação Infantil da Unisinos, no Rio Grande do Sul, publicada em 2013 pela Gazeta do Povo. Ele defende que o bebê não precisa de estímulos constantes, apenas de um ambiente seguro e propício para que ele explore seu entorno.

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“O bebê é curioso para descobrir o mundo, basta dar condições para que descubra. Isso implica que ele fique no chão, não naqueles balanços horrorosos”, disse Fochi na entrevista.

Essa frase acendeu uma luzinha na cabeça. Já vi mais de um pai ou mãe de primeira viagem meio perdido quanto ao que fazer com o bebê quando ele está acordado. Ficar com ele no colo? No carrinho? No bebê conforto? A resposta: chão, chão e chão.

No chão o bebê tem liberdade para movimentar braços e pernas, fortalecendo seus músculos. Deitar o bebê de bruços ajuda a firmar o pescoço. No início você pode colocá-lo nessa posição apenas por dois ou três minutos, ou de acordo com orientação do pediatra, e aumentar o tempo progressivamente. No chão o bebê tem um campo de visão diferente e isso estimula sua percepção. Brincar no chão também serve de treino para rolar e engatinhar.

Eu sempre coloquei meus gêmeos, que agora estão com 15 meses, para brincar no chão. Nem me lembro bem, mas acho que a partir de um mês já ficavam em seu tapetinho, com uns brinquedinhos ao redor.

Veja bem: não sou contra as cadeirinhas. Pelo contrário, usei mais de um tipo delas com meus filhos. Elas são uma mão na roda quando você precisa deixar a criança segura enquanto faz outra coisa, como falar ao telefone ou ir ao banheiro (aliás, isso rende assunto para outro post: a logística de ir ao banheiro quando se está sozinho com um ou mais bebês). Também ajudam quando você quer variar a posição do bebê. E aquelas que balançam ou vibram até podem ninar a criança até ela dormir. Lindo. Mas, para mim, elas são um recurso secundário.

Fuçando um fórum de discussão sobre maternidade na internet, me deparei com um depoimento de uma mãe que dizia sentir-se insegura em deixar seu bebê de sete meses no chão. Ela dizia que a criança vivia na cama dela e que tinha medo de que ela batesse o rosto no chão ao tentar engatinhar. Para mim é justamente o contrário! Perigo muito maior é a criança rolar e cair da cama.

Mães, pais, não tenham medo de colocar seus bebês no chão. Vocês não os estão abandonando ou os deixando em uma posição desconfortável. Dê muito colo para o seu filhote, sim, mas também permita que ele possa ficar um tempo livre, leve e solto. Basta providenciar um ambiente limpo, confortável (use mantas, edredons, tapetes de borracha ou EVA), longe o bastante de móveis ou outros objetos que podem machucar e ficar sempre de olho, claro. Lembre-se de que, de uma hora para outra, seu filho pode aprender a rolar ou alcançar distâncias que antes não conseguia, então a supervisão deve ser constante.

Foto: Toshimasa Ishibashi / 88x31

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Dica de brinquedo: Quebra-cabeça de madeira

Quebra-cabeça
Um dos brinquedos que mais fazem sucesso aqui em casa com Francisco e Manuela (15 meses) é o quebra-cabeça de figuras de madeira (foto).

Mesmo antes de conseguir encaixar as peças eles já adoravam pegá-las na mão. Agora, depois de muitas tentativas, já conseguem colocar algumas das figuras em seus respectivos lugares.

Claro que esse tipo de quebra-cabeças da foto é uma versão bastante simplificada do jogo. E, por isso mesmo, é adequada para crianças pequenas.

E sabe por que os quebra-cabeças são uma boa opção de brinquedo para elas? Eles:

– Ajudam na coordenação motora
– Ensinam lógica
– Desenvolvem noção de espaço
– Estimulam a percepção visual

Boa brincadeira!

Foto: Juliana Tiraboschi

Quebra-cabeça: Dicá Brinquedos

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Passear com criança é tudo de bom

Passeio com criança

Hoje é Sexta-feira Santa, dia de feriado. Para os pais que trabalham fora, é um dia a mais na semana para curtir os filhotes. E o que fazer com as crianças? Passear, é claro, para apresentar novos estímulos e explorar os sentidos.

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Você sabe brincar com seu bebê?

Para crianças menores, de até cinco anos, uma simples ida a um parque ou praça pode ser um evento e tanto. Mostrar a cor das árvores e plantas, sentir novas texturas, como a terra sob os pés, e observar insetos e pássaros são atividades muito interessantes para os pequenos.

Prestar atenção nas coisas que no dia a dia corrido passam batido e ouvir músicas novas também são dicas para ter um dia estimulante. E não esqueça das brincadeiras simples que costumam agradar às crianças menores, como soprar bolhas de sabão, chutar bolas e encher bexigas.

“Às vezes queremos sofisticar, mas elas se divertem com pouco ”, disse a psicóloga Lia Gonsales em entrevista ao Cabeça de Criança. “O mais importante é a atenção, a conversa e deixar um pouco de lado os eletrônicos que usamos quando precisamos distrair a criança para fazermos alguma coisa.”

a partir dos cinco anos, quando a criança tem um entendimento geral maior e passa mais tempo acordada durante o dia, os passeios podem ser um pouco mais elaborados. Nessa idade, teatro e cinema são ótimas pedidas. “Outra dica é procurar passeios alternativos e visitar bairros diferentes do seu”, afirma Lia. Em São Paulo, por exemplo, há tours guiados pelo centro e roteiros temáticos, com audioguia, disponíveis no site da SPTuris.

Passear de metrô ou ônibus é interessante para crianças que só andam de carro. Atividades esportivas, como jogar um esporte de quadra ou andar de bicicleta, também atraem a atenção dos maiorzinhos.

Mas o mais importante é aproveitar o tempo livre para reforçar a proximidade das crianças com a família. Não apenas pai e mãe como também avós, tios, primos e até amigos próximos. “Essa convivência faz com que as crianças sintam-se cuidadas e seguras e gera uma percepção de ter com quem contar”, diz Lia.

Bom feriado e aproveitem!

Foto: Visit Greenwich88x31

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Como lidar com uma criança autista?

autista

Dois de abril é o Dia Internacional da Conscientização do Autismo, que tem o objetivo de divulgar informações sobre o distúrbio e discutir maneiras de inclusão do autista. A data é marcada pela iluminação na cor azul de diversos monumentos pelo mundo.

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Autismo é um transtorno do desenvolvimento que afeta a capacidade do portador de se comunicar, se entrosar, brincar e manter o contato visual com os demais. Abala a maneira de se relacionar com outras pessoas e com o mundo ao seu redor. É uma condição de “espectro”, ou seja, atinge os portadores em diferentes níveis.

Segundo o presidente nacional do Movimento Orgulho Autista Brasil (Moab), Fernando Cota, os pais devem observar com cuidado crianças com uma conduta distante, retraída, que não aceitam colo e têm comportamento diferente das demais. Outros sintomas para a detecção precoce do autismo, que podem ser observados desde os seis meses de idade, são ausência de sorrisos e de imitação de expressões faciais dos adultos; ausência de contato visual; não seguir objetos com os olhos; não responder quando chamado pelo nome e não balbuciar sílabas (esses dois últimos acendem o sinal de alerta a partir de um ano de idade).

Apresentar essas características não significa necessariamente que a criança se encaixa em algum ponto do espectro do autismo, mas vale consultar um especialista caso elas estejam presentes. Cota também diz que 50% dos portadores de autismo têm fixação por assuntos específicos.

Por apresentarem dificuldades na socialização, as crianças autistas requerem uma atenção especial. Veja as dicas da Sociedade Nacional Autística do Reino Unido e de Temple Grandin, cientista americana autista especialista em comportamento animal, de como ajudar meninos e meninas portadores dessa condição a se relacionarem. A pesquisadora foi retratada no filme “Temple Grandin”, de 2010, no qual foi interpretada pela atriz Claire Danes.

Algumas orientações se aplicam a qualquer criança, mas entre os autistas elas são ainda mais importante de serem ressaltadas:

Ensine a criança a dizer “por favor” e “obrigado” e a cumprimentar as pessoas. Alguns autistas têm dificuldade até em fazer contato visual, então é importante reforçar essas pequenas gentilezas do cotidiano. Não se esqueça de você também praticá-las, já que os pequenos aprendem muito por imitação.

 Ensine boas maneiras com calma e paciência. Autistas podem achar complicado entender códigos sociais e regras de bom comportamento. Se a criança faz algo de um jeito errado, como comer comida com as mãos ou mostrar a língua para alguém, não grite “pare com isso” ou algo do gênero. Apenas explique, com a voz tranquila, como é a maneira correta.

 Rotina é importante. Ter um esquema bem estruturado de atividades ajuda o autista a prever eventos e sentir-se menos ansioso. Mudanças bruscas sem aviso prévio devem ser evitadas.

 Ensine à criança a aguardar a sua vez. Isso pode ser aprendido por meio de jogos de tabuleiros, cartas, ou no revezamento nas atividades familiares. Por exemplo, a cada ida ao cinema um membro da família escolhe o filme.

– Autistas podem ser sensíveis a ruídos, luz, calor ou cheiros. As atividades e devem ser realizadas, na medida do possível, em ambientes calmos e livres de perturbações ou barulhos que possam causar ansiedade. Use um tom de voz calmo e movimentos corporais suaves.

 Mostre o valor do dinheiro e ensine à criança como fazer compras. Temple conta que, na infância, recebia uma mesada semanal para comprar pequenos brinquedos, revistas em quadrinhos e doces. Ela tinha que juntar o dinheiro até ter a quantia suficiente e conversar ela mesma com o vendedor, supervisionada de longe pela mãe.

– Fale com a criança de maneira clara, objetiva e literal. Alguns autistas têm dificuldade em compreender abstrações e figuras de linguagem.

 Incentive a criança a praticar atividades artísticas, como desenho.

– Encoraje a criança a experimentar novas atividades ou tarefas, dentro de uma expectativa realista. Isso ajudará a melhorar sua autoestima.

 Se a criança tiver um ataque de birra, tente manter a calma. Quando isso acontecia com Temple, sua mãe a levava para o quarto e deixava que ela gritasse o quanto quisesse. Quando ela se acalmava, podia voltar a se juntar à família, mas ficava sem ver televisão naquele dia, como castigo.

 Dê escolhas à criança para evitar um comportamento negativo. Por exemplo, diga que ela pode fazer a lição de casa antes ou depois do jantar. Separe algumas peças de roupa e deixa-a escolher o que quer vestir dentro dessa seleção.

 É bom elogiar a criança quando ela supera alguma dificuldade, mas tome cuidado com os excessos. Se ela tem problemas para aprender a ler, por exemplo, pode ser interessante elogiá-la bastante durante as atividades de leitura. Mas não precisa exaltar o tempo todo quando a criança realiza corretamente as atividades cotidianas que são esperadas dela, como arrumar a cama ou se vestir sozinha.

– Tente se colocar no lugar da criança e entender como ela percebe e sente o mundo a sua volta. Fazendo isso você vai criar uma empatia com ela, o que vai ajudar na comunicação e relacionamento.

– Avalie, junto ao médico ou a um terapeuta ocupacional, se a criança precisa de terapia de integração sensorial, que usa técnicas que podem ajudar o autista a se tornar mais calmo, atento e ajudar no desenvolvimento da fala, audição e da habilidade de ler.

Saiba mais:
Entrevista com Temple Grandin, cientista autista americana especialista em comportamento animal
Movimento Orgulho Autista Brasil
Associação de Amigos do Autista
Associação Brasileira de Autismo

Fontes: Agência Brasil e Sociedade Nacional Autística do Reino Unido e Help Guide

Foto: Lance Neilson / 88x31