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A importância dos mil primeiros dias do bebê

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Você já ouviu falar dos mil primeiros dias de vida do bebê? Esse é o período que corresponde ao início da gestação (270 dias em média) até a criança completar dois anos (365 dias para cada ano), é super importante para o desenvolvimento e pode afetar a vida do indivíduo até à idade adulta.

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Vamos começar pelo começo: a gestação. “Algumas coisas que acontecem na vida intrauterina podem influenciar o resto da vida”, afirmou a pediatra Ana Escobar em encontro aberto ao público em São Paulo, realizado no último dia 5, que discutiu os mil primeiros dias.

Por exemplo, você sabia que uma mãe mal nutrida ou que ingere uma quantidade insuficiente de alimentos pode gerar um bebê com maior tendência a desenvolver obesidade, hipertensão, doenças cardiovasculares e diabetes?

Isso acontece porque, quando o organismo do bebê não recebe nutrientes suficientes, ele desenvolve um fenótipo “poupador”. Alguns órgãos, por exemplo, se desenvolvem com menos células do que um normal. Depois que o bebê nasce e é inserido em um ambiente pleno, com abundância de alimentos, esses órgãos precisam funcionar além de sua capacidade, o que pode aumentar o risco do indivíduo desenvolver os problemas citados acima.

Outros fatores que podem prejudicar o desenvolvimento do bebê são algumas doenças na mãe, contato com substâncias tóxicas, tabagismo e ingestão de álcool. Alguns médicos até liberam doses baixas de álcool para suas pacientes gestantes. Mas o mais recomendado atualmente é cortar totalmente a bebida, porque não existem estudos que demonstrem qual seria a dose segura.

Primeiro trimestre
O período mais crítico da gestação são os primeiros três meses, porque é quando os órgãos estão se formando. Daí vem a grande preocupação atual com o zika quando ele infecta grávidas. Esse vírus atinge o tecido nervoso e lesiona os neurônios, impedindo que eles se multipliquem. E é por isso que ele pode causar microcefalia.

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Além de se alimentar de forma saudável, cortar álcool e cigarro e praticar exercícios leves (conforme orientação do ginecologista/obstetra), é importante também consultar o médico a respeito de quais medicamentos e produtos a gestante deve evitar e quais vacinas tomar. Há coisas que parecem inofensivas, mas que podem fazer mal aos fetos. Por exemplo, cremes contendo ácido retinoico, um derivado da vitamina A muito comum em cosméticos, devem ser cortados da rotina da grávida.

Os dois primeiros anos
Depois que o bebê nasce, ele passa por intenso período de desenvolvimento nos seus dois primeiros anos de vida. Nessa fase, a nutrição também cumpre um papel fundamental. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é amamentar o bebê exclusivamente no peito  até os seis meses de idade, sem a necessidade de oferecer qualquer outro líquido, como água e chás, e continuar a oferecer leite materno em concomitância com outros alimentos até os dois anos de idade.

Além de ser riquíssimo em nutrientes, anticorpos e adaptar sua composição naturalmente conforme a fase de desenvolvimento da criança, o leite materno também contém DHA, um ácido graxo que compõe a gordura que “encapa” os neurônios e ajuda na comunicação entre eles, além de também ajudar no bom desenvolvimento da visão. Já existem fórmulas infantis que contêm DHA, mas cientistas ainda debatem se esse DHA artificial teria o mesmo efeito do que o contido no leite materno.

A partir dos seis meses começam a ser introduzidos outros tipos de alimentos, primeiro em textura de sopinha/papinha, e depois sendo engrossados naturalmente, até chegarem à consistência normal, por volta de um ano de idade. Até os dois anos o ideal é evitar frituras, gorduras, açúcar e alimentos industrializados.

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O cérebro do bebê
Nos primeiros dois anos de idade a criança também passa por um intenso desenvolvimento cerebral. O bebê nasce com os neurônios prontos, mas eles precisam se conectar entre eles. “E o que mais promove essa conexão é o vínculo afetivo”, disse Ana Escobar.

Olhar nos olhos, cantar, brincar, conversar, contar histórias, tudo isso promove bilhões de conexões neuronais ­—  as sinapses —  que vão preparar o cérebro das crianças para o aprendizado.

É importante também, nessa fase, não tentar antecipar etapas. Se o seu filho demorar para sentar, engatinhar, andar ou falar, tenha paciência e respeite o tempo dele. A não ser que ele tenha alguma dificuldade comprovada, você não precisa fazer nada, apenas dar muita atenção, carinho e brincar com ele sem hiperestimular, o que pode provocar ansiedade.

Os dois primeiros anos do bebê fecham um período que exige muita dedicação dos pais e cobra seu preço em muitas noites mal dormidas, cansaço e pouco tempo para eles mesmos. Mas é um esforço que vale a pena lá na frente e que vai ajudar a criar filhos mais saudáveis, espertos e felizes.

Fotos:
Madeleine Ball / CC-BY-SA_icon.svg
James Willcox  / CC-BY-SA_icon.svg

 

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Você sabe identificar o motivo do choro do bebê?

Choro bebe

Nos primeiros meses de vida dos meus filhos, uma das minhas maiores dificuldades era interpretar e entender o motivo de cada choro das crianças. É sono? Fome? Cólica?

É angustiante ouvir seu bebê se esgoelar e não saber o que fazer. Se você está passando por isso, respire fundo e leia esse guia. Espero que te ajude a compreender o porquê do chororô do seu filhote.

Fralda suja
O contato com o xixi e o cocô pode provocar desconforto. Normalmente esse incômodo se traduz por um choramingo. Solução: Quando o bebê começar a chorar, a primeira providência é checar a fralda.

Roupa apertada, frio ou calor
Um choro moderado pode significar outros incômodos, como vontade de mudar de posição, roupa apertada (etiquetas ou zíperes também irritam o bebê), frio ou calor. Solução: Mude o bebê de posição e veja se a criança está suada ou com pés e mãos muito frios. Cheque a roupa para ver se há algo cutucando o bebê.

Fome
Esse é o motivo mais comum. Geralmente segue um padrão rítmico de: choro, silêncio, respiração (podendo ser acompanhada de um som sibilante na inspiração), e assim por diante. Solução: amamentar o bebê.

Irritação
É um choro alto e intenso e pode ser provocado por excesso de estímulo, barulho e ambiente agitado. Solução: leve o bebê para um ambiente mais calmo, menos claro e conforte a criança.

Cólica
É agudo, prolongado e acompanhado de movimentos agitados, principalmente das pernas. Mais comum até os três meses. Solução: Faça massagens, vire o bebê de bruços ou deite-o na sua barriga. Fazer o movimento de “bicicleta” com as pernas também ajuda a eliminar os gases. Banho morno, compressas com toalhas quentes ou aquelas almofadinhas próprias para isso, que podem ser aquecidas no microondas, também podem aliviar a dor. Se a cólica for muito intensa, converse com o pediatra para ver se ele receita algum remédio.

Sono
Choro alto, que pode ser confundido com o de irritação. Solução: Acolher o bebê e embalá-lo com calma, cantando ou fazendo ruídos rítmicos como “shhhhhhhhh”. Sons rítmicos, como o de água corrente e batimentos cardíacos, trazem sensação de relaxamento porque remetem aos sons que o bebê ouvia no útero. Há quem use até o ruído de secador de cabelo para acalmar a criança.

Quando procurar um médico?
Segundo Luiz Bellizia Neto, pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein, 90% dos casos de choro estão relacionados às necessidades básicas. “São raros os casos em que ele sinaliza algum problema médico”, diz. Porém, se o choro for excessivo e prolongado ou o bebê estiver pálido, ligue para o pediatra.

Fonte: Guias Temáticos Momentos de Vida – Seu Bebê, da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein

Foto: Harald Groven88x31 (1)

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A moda dos livros de colorir (e o que seu filho tem a ver com isso)

Desenho infantil

Eles chegaram de mansinho nas redes sociais. Pipocava um post aqui, outro ali, de pessoas, na maioria mulheres, publicando fotos de desenhos coloridos por elas e contando como a atividade as fazia relembrar a infância, relaxar e desestressar.

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Lugar de bebê é no chão

Aos poucos, os livros de colorir para adultos foram tomando de assalto as vitrines das livrarias e começaram a aparecer em matérias de jornais e TVs. Grupos se formaram no Facebook para trocar ideias sobre materiais e técnicas. E a atividade virou febre.

Floresta Encantada

Página do livro “Floresta Encantada”

O principal responsável pelo boom é o livro “Jardim Secreto” da ilustradora escocesa Johanna Basford, lançado em 2013. O título traz desenhos detalhados de plantas, flores e animais e já vendeu cerca de 1,5 milhão de cópias no mundo todo. Johanna também é autora de “Floresta Encantada”. Com o sucesso da ilustradora, outros títulos vieram a reboque. Editoras brasileiras já estão encomendando os seus a ilustradores locais.

Para mamães e papais que aderiram ao hobby, uma dica é aproveitar a empolgação para convidar os filhos para participarem da brincadeira de colorir e desenhar.

Segundo Rosa Iavelberg, doutora em artes e professora e pesquisadora do curso de pedagogia da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), desenhar é uma atividade importante para as crianças, já que envolve diversas ações como pensar, sentir, perceber e agir. “Desde os primeiros rabiscos, o desenho é simbólico. É uma brincadeira na qual a criança trabalha alguma experiência”, disse em entrevista ao Cabeça de Criança.

Para Rosa, porém, dar uma figura pronta para a criança pintar é “roubar” um pouco do desenvolvimento da criação. O desenho livre tem um significado mais profundo do que colorir formas já estabelecidas, já que ajuda a desenvolver o mundo simbólico e o plano expressivo e comunicativo.

Veja algumas dicas da professora para que os pais estimulem seus filhos a curtirem a arte de desenhar:

– Não é ruim ou errado dar figuras prontas para a criança pintar, mas intercale essa atividade com o desenho livre. Deixe que seu filho escolha cores e materiais.

– Se o desenho não for claro, não pergunte especificamente o que a criança desenhou. Esse tipo de questionamento remete a algo figurativo. Ela pode se sentir insegura se não conseguir explicar formas que vieram da sua imaginação. Em vez disso, peça para ela falar sobre a sua arte.

Não existe desenho feio, pior ou melhor que outros. Os traços não precisam parecer reais. Não compare habilidades entre irmãos.

– Incentive seu filho a desenhar preparando um cantinho adequado para essa atividade e deixando materiais à disposição. Ofereça-os como você oferece outros tipos de brinquedos.

Demonstre interesse pelos desenhos e valorize-os. Guarde, fotografe, exiba os preferidos na parede ou poste nas redes sociais.

Veja matérias da revista IstoÉ e do canal Globonews sobre os livros de colorir:

 

Foto desenho: Julio Garciah88x31

Foto Floresta Encantada: Aimee

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Lugar de bebê é no chão

Bebes brincando

Hoje li uma entrevista de Paulo Fochi, coordenador e professor do curso de especialização em Educação Infantil da Unisinos, no Rio Grande do Sul, publicada em 2013 pela Gazeta do Povo. Ele defende que o bebê não precisa de estímulos constantes, apenas de um ambiente seguro e propício para que ele explore seu entorno.

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“O bebê é curioso para descobrir o mundo, basta dar condições para que descubra. Isso implica que ele fique no chão, não naqueles balanços horrorosos”, disse Fochi na entrevista.

Essa frase acendeu uma luzinha na cabeça. Já vi mais de um pai ou mãe de primeira viagem meio perdido quanto ao que fazer com o bebê quando ele está acordado. Ficar com ele no colo? No carrinho? No bebê conforto? A resposta: chão, chão e chão.

No chão o bebê tem liberdade para movimentar braços e pernas, fortalecendo seus músculos. Deitar o bebê de bruços ajuda a firmar o pescoço. No início você pode colocá-lo nessa posição apenas por dois ou três minutos, ou de acordo com orientação do pediatra, e aumentar o tempo progressivamente. No chão o bebê tem um campo de visão diferente e isso estimula sua percepção. Brincar no chão também serve de treino para rolar e engatinhar.

Eu sempre coloquei meus gêmeos, que agora estão com 15 meses, para brincar no chão. Nem me lembro bem, mas acho que a partir de um mês já ficavam em seu tapetinho, com uns brinquedinhos ao redor.

Veja bem: não sou contra as cadeirinhas. Pelo contrário, usei mais de um tipo delas com meus filhos. Elas são uma mão na roda quando você precisa deixar a criança segura enquanto faz outra coisa, como falar ao telefone ou ir ao banheiro (aliás, isso rende assunto para outro post: a logística de ir ao banheiro quando se está sozinho com um ou mais bebês). Também ajudam quando você quer variar a posição do bebê. E aquelas que balançam ou vibram até podem ninar a criança até ela dormir. Lindo. Mas, para mim, elas são um recurso secundário.

Fuçando um fórum de discussão sobre maternidade na internet, me deparei com um depoimento de uma mãe que dizia sentir-se insegura em deixar seu bebê de sete meses no chão. Ela dizia que a criança vivia na cama dela e que tinha medo de que ela batesse o rosto no chão ao tentar engatinhar. Para mim é justamente o contrário! Perigo muito maior é a criança rolar e cair da cama.

Mães, pais, não tenham medo de colocar seus bebês no chão. Vocês não os estão abandonando ou os deixando em uma posição desconfortável. Dê muito colo para o seu filhote, sim, mas também permita que ele possa ficar um tempo livre, leve e solto. Basta providenciar um ambiente limpo, confortável (use mantas, edredons, tapetes de borracha ou EVA), longe o bastante de móveis ou outros objetos que podem machucar e ficar sempre de olho, claro. Lembre-se de que, de uma hora para outra, seu filho pode aprender a rolar ou alcançar distâncias que antes não conseguia, então a supervisão deve ser constante.

Foto: Toshimasa Ishibashi / 88x31

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Espelho, espelho meu

Kona Gallagher

Você já colocou seu bebê em frente a um espelho? Essa é uma brincadeira muito simples e que as crianças pequenas costumam curtir bastante.

Existe um “teste do espelho”, que consiste em pintar um ponto vermelho na testa ou nariz do bebê, grande o suficiente para que ele possa enxergá-lo com facilidade, e colocá-lo em frente a um espelho. Se a criança tentar tocar o reflexo, significa que ele não entende que a imagem é dele próprio. Mas se ela tentar limpar ou tocar a mancha no próprio rosto, é porque ela já tem consciência da sua imagem.

Esse teste deriva de uma pesquisa realizada em 1972 na Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, e é considerado o melhor método de avaliar a capacidade de autopercepção de um bebê. O estudo, aplicado a 88 bebês entre 6 meses e dois anos, revelou que:

– Entre seis e 12 meses a o bebê se comporta como se a criança refletida no espelho fosse outra. Eles sorriem e fazem sons para o “amigo”.

– Entre 13 e 24 meses alguns bebês continuam interagindo com a imagem, enquanto outros podem mostrar-se cautelosos. A criança começa a se reconhecer no espelho.

– Entre 20 e 24 meses o bebê se reconhece claramente e entende que a mancha vermelha está na própria face.

Porém os cientistas ainda não sabem exatamente se esse reconhecimento é uma simples percepção física e visual ou se é também mental. Ou seja, o bebê pode saber como é sua própria aparência, mas não necessariamente já desenvolveu um autoconceito a respeito de si mesmo.

Meus filhos de quase 15 meses gostam de olhar seus reflexos. Principalmente a menina, Manuela, que acena para a própria imagem, dá gritinhos, bate no espelho e até dá “beijinhos”. Fiz esse teste da mancha com eles e nenhum deles tocou a própria testa. Será que Manu pensa que tem uma amiguinha do outro lado do espelho?

Fonte: Jeremy Dean, psicólogo e autor do site PsyBlog e do livro “Making Habits, Breaking Habits: Why We Do Things, Why We Don’t, and How to Make Any Change Stick” (“Criando Hábitos, Quebrando Hábitos: Por Que Fazemos as Coisas, Por Que Não Fazemos e Como Fazer Mudanças”), sem versão em português.

Foto: Kona Gallagher / by-sa

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Sumiu……achou!

Uma das brincadeiras das quais meus gêmeos Manuela e Francisco (1 ano e dois meses) mais gostam é a do “sumiu e achou”. Eles curtem se esconder atrás de mantinhas ou das próprias mãos e depois revelar os próprios rostos, ou quando eu me escondo e depois me mostro.

Longe de ser uma simples brincadeira, essa atividade tem relação com o conceito psicológico de “permanência do objeto”, descrito pelo epistemólogo suíço Jean Piaget (1896-1980). Trocando em miúdos, é a noção de que algo existe mesmo que não esteja aparente.

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Tela de Georgios Jakobides, 1895

O bebê nasce equipado com uma série de movimentos de reflexo e sistemas perceptuais, e gradualmente começa a construir conhecimento sobre o mundo ao relacionar ações físicas ao resultado dessas ações. Assim, a criança se torna cada vez mais adaptada ao ambiente.

Segundo o psicólogo Saul McLeod, professor assistente da Universidade de Manchester, na Inglaterra, a infância é caracterizada por um “egocentrismo extremo”, no sentido de que a criança não compreende o mundo além do que ocorre dentro do seu ponto de vista. Conforme descreve McLeod, nos dois primeiros anos de vida o bebê passa a entender que as coisas existem independentemente de suas ações e aprende a representar mentalmente objetos e eventos – isso inclui saber que aquele brinquedo debaixo do cobertor não desapareceu, apenas está escondido.

Além disso, brincar de se esconder pode aumentar a sensação de segurança do bebê, já que ele aprende que, mesmo que a mamãe ou o papai “desapareçam” por alguns segundos, eles sempre voltam.

Da próxima vez que você brincar assim com o seu filho, saiba que você o está ajudando a entender a relação entre ação e reação e a se adaptar ao universo ao redor dele.