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Estreia documentário sobre a importância da primeira infância

Estreia nesta quinta-feira, em circuito nacional, o documentário “O Começo da Vida”. O filme, dirigido por Estela Renner, trata da importância dos primeiros anos de vida. A produção traz depoimentos de especialistas e famílias sobre como a primeira infância é essencial para o futuro. As histórias são retratadas em nove países: Brasil, Argentina, Canadá, China, Estados Unidos, França, Índia, Itália e Quênia.

O filme parte do princípio de que os bebês são os melhores “cientistas” do mundo, absorvendo todas as informações que encontram pela frente e explorando o ambiente ao seu redor. A produção mostra que as crianças pequenas aprendem sobre a vida e o mundo principalmente a partir da interação com outros seres humanos, especialmente com a família.

Veja o trailer do filme:


A produção convida à reflexão: estamos cuidando bem desse período tão importante, que define tanto o presente quanto o futuro da humanidade? “Queremos que o filme seja um agente de transformação e uma ferramenta para os pais”, disse Luana Lobo, sócia e diretora de distribuição da Maria Farinha Filmes, responsável pelo documentário, em encontro com jornalistas nesta quarta-feira.

Segundo Luana, a produtora teve a preocupação de convidar diversas empresas para apoiarem o filme com o objetivo de conscientizarem o mundo empresarial para a importância da primeira infância, já que uma das maiores dificuldades dos pais e mães modernos é conciliar a vida profissional com os cuidados com os filhos. “As empresas têm de ser parte desse movimento de transformação”, disse.

Um dos aspectos mais interessantes do filme é mostrar contrastes e semelhanças entre realidades completamente distintas. “Você vê o depoimento da Gisele Bündchen e de uma mãe que vive em uma ocupação, e ambas criaram o mesmo vínculo afetivo com seus filhos”, disse Ana Estela Haddad, coordenadora da São Paulo Carinhosa, ação da prefeitura da capital voltada ao desenvolvimento da primeira infância.

A Maria Farinha firmou parceria com a São Paulo Carinhosa para promover exibições gratuitas e abertas ao público, com foco em educadores, agentes de saúde, conselheiros tutelares e famílias. “O filme resgata o lugar da família, e não necessariamente em sua configuração tradicional”, disse Ana Estela.

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Luana Lobo, Ana Estela Haddad e Maria do Rosário Ramalho, secretária de Cultura de São Paulo 

Para Luana, como o filme faz parte de um movimento social, a ideia é fazer o documentário chegar ao máximo de lugares possíveis, daí a parceria com a São Paulo Carinhosa. “Somente 10% das cidades no Brasil têm cinema e apenas 1% das salas está na periferia”.

Além das exibições promovidas pela prefeitura de São Paulo, o filme poderá ser visto gratuitamente em diversas salas comerciais de cinema, como Itaú Cinemas e Cinemark, que promoverão sessões abertas do filme até o dia 8.

O público das cidades onde o documentário não está em cartaz nos cinemas poderá ver o longa por meio da plataforma online Videocamp.

“O Começo da Vida” tem apoio da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, da Fundação Bernard Van Leer, do Instituto Alana e da Unicef.

A produtora Maria Farinha Filmes também é responsável por outros filmes com temática relacionada a infância, como “Criança, a Alma do Negócio”, “Muito Além do Peso”, “Tarja Branca – A Revolução que Faltava” e “Território do Brincar”.

Saiba onde assistir ao filme gratuitamente:

– PROGRAMAÇÃO DAS SESSÕES GRATUITAS EM CINEMAS COMERCIAIS

– LANÇAMENTO DO LONGA “O COMEÇO DA VIDA”
Quinta-feira, 5 de maio, às 15h
CEUS Butantã, Meninos, Jaçanã, Quinta do Sol, São Rafael, Capão Redondo, Parque Veredas Vila Rubi. Todas as sessões serão seguidas por debates. Veja endereços e programação aqui.
Presença da diretora do filme, Estela Renner, e Ana Estela Haddad, coordenadora da São Paulo Carinhosa, na exibição no CEU Veredas.
Rua Daniel Muller, 347, Itaim Paulista
ATENÇÃO: Retirar os ingressos uma hora antes; sujeito a lotação da sala

– CINE DIREITOS HUMANOS
Sábado, 7 de maio, às 11h
Shopping Frei Caneca – Espaço Itaú de Cinema
Rua Frei Caneca, 569
ATENÇÃO: Retirar os ingressos uma hora antes; sujeito a lotação da sala.

– CINE DIREITOS HUMANOS
Quarta-feira, 11 de maio, 19h
Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes
Avenida Inácio Monteiro, 6900, Cidade Tiradentes
ATENÇÃO: Retirar os ingressos uma hora antes; sujeito a lotação da sala

Acesse o site oficial do documentário para saber onde mais o filme estará em cartaz, em todo o país.

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A importância dos mil primeiros dias do bebê

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Você já ouviu falar dos mil primeiros dias de vida do bebê? Esse é o período que corresponde ao início da gestação (270 dias em média) até a criança completar dois anos (365 dias para cada ano), é super importante para o desenvolvimento e pode afetar a vida do indivíduo até à idade adulta.

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Vamos começar pelo começo: a gestação. “Algumas coisas que acontecem na vida intrauterina podem influenciar o resto da vida”, afirmou a pediatra Ana Escobar em encontro aberto ao público em São Paulo, realizado no último dia 5, que discutiu os mil primeiros dias.

Por exemplo, você sabia que uma mãe mal nutrida ou que ingere uma quantidade insuficiente de alimentos pode gerar um bebê com maior tendência a desenvolver obesidade, hipertensão, doenças cardiovasculares e diabetes?

Isso acontece porque, quando o organismo do bebê não recebe nutrientes suficientes, ele desenvolve um fenótipo “poupador”. Alguns órgãos, por exemplo, se desenvolvem com menos células do que um normal. Depois que o bebê nasce e é inserido em um ambiente pleno, com abundância de alimentos, esses órgãos precisam funcionar além de sua capacidade, o que pode aumentar o risco do indivíduo desenvolver os problemas citados acima.

Outros fatores que podem prejudicar o desenvolvimento do bebê são algumas doenças na mãe, contato com substâncias tóxicas, tabagismo e ingestão de álcool. Alguns médicos até liberam doses baixas de álcool para suas pacientes gestantes. Mas o mais recomendado atualmente é cortar totalmente a bebida, porque não existem estudos que demonstrem qual seria a dose segura.

Primeiro trimestre
O período mais crítico da gestação são os primeiros três meses, porque é quando os órgãos estão se formando. Daí vem a grande preocupação atual com o zika quando ele infecta grávidas. Esse vírus atinge o tecido nervoso e lesiona os neurônios, impedindo que eles se multipliquem. E é por isso que ele pode causar microcefalia.

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Além de se alimentar de forma saudável, cortar álcool e cigarro e praticar exercícios leves (conforme orientação do ginecologista/obstetra), é importante também consultar o médico a respeito de quais medicamentos e produtos a gestante deve evitar e quais vacinas tomar. Há coisas que parecem inofensivas, mas que podem fazer mal aos fetos. Por exemplo, cremes contendo ácido retinoico, um derivado da vitamina A muito comum em cosméticos, devem ser cortados da rotina da grávida.

Os dois primeiros anos
Depois que o bebê nasce, ele passa por intenso período de desenvolvimento nos seus dois primeiros anos de vida. Nessa fase, a nutrição também cumpre um papel fundamental. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é amamentar o bebê exclusivamente no peito  até os seis meses de idade, sem a necessidade de oferecer qualquer outro líquido, como água e chás, e continuar a oferecer leite materno em concomitância com outros alimentos até os dois anos de idade.

Além de ser riquíssimo em nutrientes, anticorpos e adaptar sua composição naturalmente conforme a fase de desenvolvimento da criança, o leite materno também contém DHA, um ácido graxo que compõe a gordura que “encapa” os neurônios e ajuda na comunicação entre eles, além de também ajudar no bom desenvolvimento da visão. Já existem fórmulas infantis que contêm DHA, mas cientistas ainda debatem se esse DHA artificial teria o mesmo efeito do que o contido no leite materno.

A partir dos seis meses começam a ser introduzidos outros tipos de alimentos, primeiro em textura de sopinha/papinha, e depois sendo engrossados naturalmente, até chegarem à consistência normal, por volta de um ano de idade. Até os dois anos o ideal é evitar frituras, gorduras, açúcar e alimentos industrializados.

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O cérebro do bebê
Nos primeiros dois anos de idade a criança também passa por um intenso desenvolvimento cerebral. O bebê nasce com os neurônios prontos, mas eles precisam se conectar entre eles. “E o que mais promove essa conexão é o vínculo afetivo”, disse Ana Escobar.

Olhar nos olhos, cantar, brincar, conversar, contar histórias, tudo isso promove bilhões de conexões neuronais ­—  as sinapses —  que vão preparar o cérebro das crianças para o aprendizado.

É importante também, nessa fase, não tentar antecipar etapas. Se o seu filho demorar para sentar, engatinhar, andar ou falar, tenha paciência e respeite o tempo dele. A não ser que ele tenha alguma dificuldade comprovada, você não precisa fazer nada, apenas dar muita atenção, carinho e brincar com ele sem hiperestimular, o que pode provocar ansiedade.

Os dois primeiros anos do bebê fecham um período que exige muita dedicação dos pais e cobra seu preço em muitas noites mal dormidas, cansaço e pouco tempo para eles mesmos. Mas é um esforço que vale a pena lá na frente e que vai ajudar a criar filhos mais saudáveis, espertos e felizes.

Fotos:
Madeleine Ball / CC-BY-SA_icon.svg
James Willcox  / CC-BY-SA_icon.svg

 

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Lugar de bebê é no chão

Bebes brincando

Hoje li uma entrevista de Paulo Fochi, coordenador e professor do curso de especialização em Educação Infantil da Unisinos, no Rio Grande do Sul, publicada em 2013 pela Gazeta do Povo. Ele defende que o bebê não precisa de estímulos constantes, apenas de um ambiente seguro e propício para que ele explore seu entorno.

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“O bebê é curioso para descobrir o mundo, basta dar condições para que descubra. Isso implica que ele fique no chão, não naqueles balanços horrorosos”, disse Fochi na entrevista.

Essa frase acendeu uma luzinha na cabeça. Já vi mais de um pai ou mãe de primeira viagem meio perdido quanto ao que fazer com o bebê quando ele está acordado. Ficar com ele no colo? No carrinho? No bebê conforto? A resposta: chão, chão e chão.

No chão o bebê tem liberdade para movimentar braços e pernas, fortalecendo seus músculos. Deitar o bebê de bruços ajuda a firmar o pescoço. No início você pode colocá-lo nessa posição apenas por dois ou três minutos, ou de acordo com orientação do pediatra, e aumentar o tempo progressivamente. No chão o bebê tem um campo de visão diferente e isso estimula sua percepção. Brincar no chão também serve de treino para rolar e engatinhar.

Eu sempre coloquei meus gêmeos, que agora estão com 15 meses, para brincar no chão. Nem me lembro bem, mas acho que a partir de um mês já ficavam em seu tapetinho, com uns brinquedinhos ao redor.

Veja bem: não sou contra as cadeirinhas. Pelo contrário, usei mais de um tipo delas com meus filhos. Elas são uma mão na roda quando você precisa deixar a criança segura enquanto faz outra coisa, como falar ao telefone ou ir ao banheiro (aliás, isso rende assunto para outro post: a logística de ir ao banheiro quando se está sozinho com um ou mais bebês). Também ajudam quando você quer variar a posição do bebê. E aquelas que balançam ou vibram até podem ninar a criança até ela dormir. Lindo. Mas, para mim, elas são um recurso secundário.

Fuçando um fórum de discussão sobre maternidade na internet, me deparei com um depoimento de uma mãe que dizia sentir-se insegura em deixar seu bebê de sete meses no chão. Ela dizia que a criança vivia na cama dela e que tinha medo de que ela batesse o rosto no chão ao tentar engatinhar. Para mim é justamente o contrário! Perigo muito maior é a criança rolar e cair da cama.

Mães, pais, não tenham medo de colocar seus bebês no chão. Vocês não os estão abandonando ou os deixando em uma posição desconfortável. Dê muito colo para o seu filhote, sim, mas também permita que ele possa ficar um tempo livre, leve e solto. Basta providenciar um ambiente limpo, confortável (use mantas, edredons, tapetes de borracha ou EVA), longe o bastante de móveis ou outros objetos que podem machucar e ficar sempre de olho, claro. Lembre-se de que, de uma hora para outra, seu filho pode aprender a rolar ou alcançar distâncias que antes não conseguia, então a supervisão deve ser constante.

Foto: Toshimasa Ishibashi / 88x31

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Sumiu……achou!

Uma das brincadeiras das quais meus gêmeos Manuela e Francisco (1 ano e dois meses) mais gostam é a do “sumiu e achou”. Eles curtem se esconder atrás de mantinhas ou das próprias mãos e depois revelar os próprios rostos, ou quando eu me escondo e depois me mostro.

Longe de ser uma simples brincadeira, essa atividade tem relação com o conceito psicológico de “permanência do objeto”, descrito pelo epistemólogo suíço Jean Piaget (1896-1980). Trocando em miúdos, é a noção de que algo existe mesmo que não esteja aparente.

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Tela de Georgios Jakobides, 1895

O bebê nasce equipado com uma série de movimentos de reflexo e sistemas perceptuais, e gradualmente começa a construir conhecimento sobre o mundo ao relacionar ações físicas ao resultado dessas ações. Assim, a criança se torna cada vez mais adaptada ao ambiente.

Segundo o psicólogo Saul McLeod, professor assistente da Universidade de Manchester, na Inglaterra, a infância é caracterizada por um “egocentrismo extremo”, no sentido de que a criança não compreende o mundo além do que ocorre dentro do seu ponto de vista. Conforme descreve McLeod, nos dois primeiros anos de vida o bebê passa a entender que as coisas existem independentemente de suas ações e aprende a representar mentalmente objetos e eventos – isso inclui saber que aquele brinquedo debaixo do cobertor não desapareceu, apenas está escondido.

Além disso, brincar de se esconder pode aumentar a sensação de segurança do bebê, já que ele aprende que, mesmo que a mamãe ou o papai “desapareçam” por alguns segundos, eles sempre voltam.

Da próxima vez que você brincar assim com o seu filho, saiba que você o está ajudando a entender a relação entre ação e reação e a se adaptar ao universo ao redor dele.