Escolha a atividade física certa para seus filhos

atividade fisica

Esporte faz bem para a saúde física e mental; ajuda a desenvolver disciplina; promove interação e convívio com outras pessoas; eleva a auto-estima e auxilia no desenvolvimento cognitivo e na inteligência emocional. Mas como escolher em qual tipo de atividade matricular os filhos pequenos?

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Vamos começar pelo início. Para a pedagoga e bailarina Renata Laureano, proprietária da escola Artecorpo Núcleo de Dança, em Belo Horizonte, a primeira atividade física na vida de uma criança deve ser a natação, por motivos de segurança. “O ideal é começar o mais cedo possível”, diz Renata, que falou sobre o tema no 2º Congresso Online de Estimulação e Desenvolvimento Infantil (Coedin), que começou nesta terça-feira. “Antes mesmo de aprender a nadar a criança vai saber lidar com a água”, afirma.

Mas o momento certo de começar a natação vai depender, é claro, do aval do pediatra, que vai avaliar o histórico da criança. Alguns médicos liberam o exercício para bebês a partir de seis meses de idade. Outros preferem esperar mais.

Passado esse primeiro  momento, os pais podem pensar em colocar os filhos para explorar outras atividades. Um caminho é selecionar alguns esportes que agradem à família e levar a criança para fazer aulas experimentais, para daí tomar uma decisão.

A personalidade do seu filho também pode nortear a escolha. Uma criança mais tímida pode se beneficiar da interação dos esportes coletivos. Já para aquela mais agitada, uma atividade que exige mais disciplina, com uma arte marcial, pode ser interessante.

Uma vez escolhida a atividade, explique para a criança o que vai mudar na rotina dela, que horas ela vai ter que acordar ou sair de casa e de qual material ela vai precisar. Isso ajuda a aumentar o engajamento dela.

O mais indicado é que a criança comece a praticar algum exercício regularmente a partir dos três anos. “Antes disso, só se ela pedir”, afirma Renata.

A partir dos três anos, a criança já pode começar a praticar capoeira ou modalidades de dança, como o balé. Lembrando que os meninos também podem dançar. Aos quatro anos, os pequenos podem experimentar aulas de circo ou futebol de salão. Entre cinco ou seis anos, entram no cardápio as artes marciais, como o judô.

A partir dos sete anos as crianças já podem começar a se engajar em esportes coletivos. “Nessa fase, as aulas de educação física devem assumir as características de um grande espaço interativo, onde as ações e brincadeiras permitam que as crianças tenham liberdade para criar, inventar, errar e reaprender”, afirma Luiz Tadeu Paes de Almeida, professor de educação física da Universidade Federal Fluminense, no artigo “Iniciação desportiva na escola”. Segundo Almeida, o esporte coletivo exerce fascínio nas crianças muito mais pelo prazer da atividade e de estar junto dos colegas do que pelo próprio jogo, pela competição.

Apesar dessa indicação etária, algumas escolas oferecem atividades físicas na grade regular já a partir dos dois anos. Mas, nessa idade, elas são adaptadas e mais recreativas, claro. Ninguém vai sair usando sapatilha de ponta nessa idade. Nesses casos, o ideal é começar as aulas depois que a criança passar pela adaptação, se ela estiver começando a frequentar a escola pela primeira vez, e respeitar o desejo dela de participar dos exercícios.

Os pais devem acompanhar a evolução e questionar na escola como está o envolvimento da criança com a atividade. Também é recomendável sempre perguntar à criança se ela está gostando e envolvê-la no preparo para as aulas, como separar o uniforme e materiais. A escola pode ainda realizar aulas demonstrativas, para aumentar a participação da família.

“É importante que o professor saiba trabalhar com a faixa etária em questão, que conheça o método certo e não trate a atividade como mera brincadeira”, diz Renata. Outro ponto para ficar de olho: com as crianças bem novinhas, nessa faixa de dois anos, o cerne da questão é trabalhar o despertar corporal e deixar as técnicas de lado. Ainda é cedo para se preocupar com isso.

A partir dos três anos, é bom também prestar atenção à frequência das aulas. “Na minha opinião, praticar a atividade uma vez por semana é pouco. O conteúdo fica muito distante um do outro”, afirma Renata. O ideal, de acordo com a pedagoga, seriam duas aulas por semana.

Em qualquer idade, se a criança começar a sentir dores ou qualquer desconforto, procure logo o professor para investigar o que pode estar acontecendo.

Se a criança tem outras queixas, antes de desistir da atividade converse bastante com ela e com o instrutor. Tente resolver os problemas antes de tirar seu filho da aula. Uma dica é estabelecer compromissos. Por exemplo, combinar com a criança de participar de mais um número definido de aulas ou de terminar o mês para depois ela decidir se quer realmente parar. Isso ajuda a ensinar persistência.

Se o problema da criança for o professor, tente distinguir pela fala e reações de seu filho se ele simplesmente não foi com a cara do profissional ou se há queixas reais. Conheça e converse com o professor. Se ele reagir bem à sua abordagem e explicar qual é o contexto das aulas e propor alguma solução, vale a pena dar uma chance. Mas, se ele reagir mal a eventuais críticas, é o caso de pensar em mudar de profissional ou até de escola, se o problema for grave. “Se sentir confiança na pessoa, insista na permanência do seu filho. Se não sentir, mude”, diz Renata.

Se você quiser assistir às palestras online do Coedin, ainda dá tempo de se inscrever. O congresso vai até dia 8, domingo

Foto: Jay Ryness / 88x31

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