Dicas para passar pela adaptação escolar sem traumas

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Nessa época do ano muitas crianças iniciam uma etapa muito importante do crescimento: a vida escolar. Algumas lidam mais facilmente com essas mudanças. Outras precisam de mais paciência, apoio e bastante conversa.

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Conversamos com Silvia Colello, professora na graduação e pós-graduação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, para saber quais são as dicas dela para passar por esse processo da maneira mais tranquila possível:

Idade
Não existe idade certa para entrar na escola. Depende da necessidade e disponibilidade dos pais (ou de outra pessoa responsável, como avó ou babá) para cuidar da criança, da qualidade do estímulo oferecido, do espaço que seu filho tem para brincar e se desenvolver, do nível de interação que ele tem com outras crianças e até do temperamento. Para Silvia Colello, a idade média ideal seria de 3 anos de idade. Isso não significa que uma criança mais nova vai sofrer por começar a frequentar a escola mais cedo. Cada caso é um caso. “Mas eu considero que uma criança que entra com 4 anos já está com uma defasagem social, de entender uma hierarquia e obedecer regras”, afirma Silvia. Segundo a professora, acreditar que a escola infantil é um lugar apenas para a criança brincar e não levar a sério o trabalho pedagógico é um equívoco.

A escolha da escola
Quando estiver pesquisando escolas, leve seu filho nas visitas sempre que possível. Explique para ele o que é aquele lugar. Observe o comportamento da criança e o acolhimento que ela terá da diretora, coordenadora, professores ou de outra pessoa que te atender. “Existem escolas indiferentes, que negociam os termos no balcão da secretaria, e aquelas cujos profissionais conversam com a criança, interagem, chamam para brincar etc.”, diz Silvia. Nem precisa dizer qual dessas é mais bacana para o aluno, certo?

A adaptação em si
Cada escola tem suas regras. Mas, em geral, o processo começa com a criança ficando na escola por um período mais curto e com a presença de um dos pais ou responsáveis. O adulto pode ficar junto na sala ou num ambiente ao lado, dependendo da desenvoltura da criança. O período de permanência vai aumentando gradativamente. Depois de alguns dias, é hora da criança ficar sozinha na escola. O responsável sai de cena e a escola telefona caso o filho não fique bem. Principalmente nos primeiros dias, é importante que os pais cheguem no horário certo para buscar a criança, ou até um pouco antes, para que seu filho não veja os amigos indo embora e fique por último.

Portas abertas
A escola tem que ser aberta aos pais. A criança não pode sentir que a mãe ou o pai estão sendo “expulsos” do local. O ideal é que, nos primeiros dias, o responsável possa entrar na sala junto e explicar à criança que ali é o lugar onde ela vai ficar. A sala de aula deve ser um ambiente atraente, com brinquedos e material como massinha e giz disponíveis. Mas, mesmo que os pais fiquem juntos na sala nos primeiros dias, eles devem transmitir para a criança que aquele é o domínio da professora. Fique na sua, não proponha atividades e nem assuma o papel do professor.

Segurança
A mãe e o pai devem passar confiança à criança. Não adianta falar para a criança entrar na sala e continuar segurando ela (coisas que às vezes os pais fazem sem perceber). Também não pergunte se a criança quer que você fique mais um pouquinho se ela estiver segura e tranquila. Não diga ao seu filho que ele precisa ficar na escola porque você tem que trabalhar. Fale que ele vai ficar lá porque vai ser bom para ele, porque vai brincar e aprender coisas novas.

Sem forçar
Tanto a escola quanto os pais tem de ter muita paciência durante a adaptação. Deixar que a professora tire a criança do seu colo na marra, principalmente se ela estiver chorando, não é o melhor caminho. “A escola tem de conquistar a criança pelo lado lúdico, pelo encantamento, pela possibilidade de brincar com outras crianças”, diz Silvia. Se a criança chora muito, o jeito é conversar mais com ela e passar mais tempo na adaptação,com a presença dos pais na escola se necessário (o responsável pode ficar em outro ambiente, mas por perto). Converse com a coordenadora para saber se a escola tem flexibilidade de permitir que a adaptação se estenda além do padrão caso seja necessário. Ouça o que a criança tem a dizer e tente entender o que a incomoda. Às vezes uma coisa que parece boba para um adulto pode causar grande angústia para uma criança. Em último caso, não tenha medo de mudar de escola e começar tudo de novo.

Seja assíduo
Como muitos pais não valorizam tanto o processo pedagógico na educação infantil, muita gente acha que não tem problema faltar na aula com frequência. Isso é um erro, segundo Silvia Colello. Faltar muito quebra a rotina da escola e pode passar um sentimento de insegurança para a criança.

Sem vitimização
Cuidado com o jeito como você fala sobre a escola na frente da criança. Nunca diga coisas como “Coitadinho, tão pequeno e tem que ir para a escola”. Fale sobre a escola como um lugar interessante, onde ela vai brincar, aprender e conhecer novos amigos.

Divergências longe da criança
Além de não tratar a escola como uma penalização, tome cuidado também para não externar quaisquer divergências com professoras ou coordenação na frente da criança. Seu filho não deve achar que você se sente inseguro em relação à instituição. Se tiver problemas, converse com os responsáveis longe dos ouvidos da criança.

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