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Lugar de criança é na rua

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Na semana passada o jornal Folha de São Paulo publicou uma entrevista com a urbanista espanhola Irene Quintáns a respeito da importância de caminhar na rua para o desenvolvimento infantil.

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Irene define a rotina da maior parte das crianças moradoras de grandes cidades como viver em “caixinhas”. Os pequenos saem de casa, que é uma caixinha, entram no carro ou na perua escolar, que é outra caixinha, e vão para a escola, que é uma outra caixa. Lá, muitas vezes têm pouco tempo para brincar livremente ou fazer atividades ao ar livre. Depois da escola, voltam para dentro de casa e continuam em um ambiente fechado.

Segundo a urbanista, caminhar na rua traz muitos benefícios, como combate ao sedentarismo, exposição à luz solar, consciência sobre problemas sociais, sensação de pertencimento e despertar da vontade de cuidar do próprio bairro e da cidade e aguçamento da percepção visual e da noção de espaço.

Na edição de hoje do mesmo jornal, a psicóloga Rosely Sayão faz coro a Irene e defende que a criança ocupe espaço nas ruas. E o primeiro passo para isso é o caminho até a escola. “No trajeto de casa para a escola de carro, eles (as crianças) não têm a oportunidade de conhecer a cidade com mais intimidade com seus habitantes, tão diversos! Ficam imersos em um mundo irreal, uniforme, que nunca irão encontrar quando crescerem e tiverem autonomia para ir e vir”, afirma.

Rosely menciona também um projeto bem bacana, o “Carona a Pé”, que tem como objetivo reunir grupos de crianças que moram próximas para caminharem juntas até a escola, com o acompanhamento de um ou mais adultos responsáveis por elas, que se revezam nessa função.

Concordo plenamente com as duas. Acho super importante que as crianças tenham esse contato com a rua, com a cidade, com as pessoas, por todos esses motivos citados. Esse foi um dos quesitos que mais pesaram na escolha da escola dos meus filhos: a curta distância entre ela e a nossa casa, justamente para podermos ir a pé.

Andando a pé as crianças observam o mundo e interagem com outras pessoas. Nós conhecemos todas as lojas e comerciantes do nosso pedaço, paramos para conversar, brincamos com os cachorros que passeiam e com os bebês nos carrinhos. Os pequenos reparam nas árvores, nas folhas, nos buracos, bueiros, pegam florzinhas para levar para as professoras e até conseguem observar insetos como borboletas, abelhas, besouros, formigas…antes de ter filho eu nem reparava nessas coisas.

Acredito no que Irene diz, que se a criança não se sente pertencente ao seu bairro e à cidade, é mais difícil ensinar noções de cidadania e até coisas simples, como não jogar o lixo na rua. A urbanista não gosta que digam que a criança é o cidadão do futuro, já que ela é um cidadão de hoje, de ontem e de amanhã.

Assino embaixo e pretendo continuar caminhando cada vez mais com meus filhos. Se você não tem essa opção de colocar os filhos em uma escola bem próxima de casa, que tal andar com eles na rua em outros momento, ou nos finais de semana?

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Meu filho ainda não anda. E agora?

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Algumas das dúvidas mais comuns que atingem pais e mães dizem respeito aos marcos de desenvolvimento. Aposto que “quando meu filho vai…(sentar, engatinhar, falar, andar, começar a comer sozinho etc)?” é um tipo de pergunta que aparece a todo momento nos consultórios dos pediatras.

Andar é um dos marcos mais aguardados. Poucas coisas são mais emocionantes do que ver seu bebezinho dando seus primeiros passos.

Um aspecto muito bacana de ter filhos gêmeos é poder observar como cada indivíduo é único e tem seu próprio ritmo. O Francisco deu seus primeiros passos logo que completou um ano, enquanto Manuela começou a andar há pouco tempo, umas duas semanas antes de completar 15 meses. Isso não significa que ela seja atrasada em relação ao irmão. Outros marcos foi ela quem atingiu primeiro, como rolar ou falar a primeira palavra.

Mas, afinal, quando é normal andar? A resposta varia, e é aí que mora a aflição dos pais ansiosos. Alguns bebês já conseguem dar uns passinhos, segurando na mão de alguém, com seis, sete meses de idade. Enquanto uns já andam sozinhos com nove meses, outros só vão fazer isso com mais de um ano.

Veja algumas dicas para lidar com essa expectativa:

Não compare. Pare de se preocupar se o filho de 10 meses do vizinho já anda e o seu de um ano ainda não. Cada um tem seu ritmo. Não tenha pressa, seu bebê tem a vida toda para andar.

Seu filho vai cair. Várias vezes. Tente não parecer muito alarmado para não assustar a criança. E, lógico, tome medidas de segurança, como colocar protetores nas quinas dos móveis e redes nas janelas.

–  Estimule o bebê, sem forçar a barra. Você pode colocar a criança de pé, apoiada no sofá, por exemplo, e chamá-la para andar até onde você está.

– Deixe a criança descalça. Quanto estiver em casa, deixe os pés do seu bebê livres. Ele vai ter mais firmeza e equilíbrio para treinar seus passinhos.

– Não use andadores. O uso desse acessório é contraindiciado pela Sociedade Brasileira de Pediatria por conta do alto risco de quedas, já que ele dá independência à criança justamente em uma fase em que ela ainda não tem noção de perigo. E não adianta muito ficar em cima: estudos mostram que cerca de 70% das crianças que sofreram traumatismos com andadores estavam sob a supervisão de um adulto.

Se a criança não andar até completar um ano e meio, não se desespere, mas converse com o pediatra para checar se está tudo certinho com o desenvolvimento do seu bebê.

Para finalizar, divirta-se com essa compilação de vídeos do YouTube de bebês aprendendo a andar (o próximo vídeo aparecerá na sequência do anterior):

Foto: André Mouraux88x31