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A importância dos contos de fada para o desenvolvimento infantil

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Estreia nesta quinta-feira (16), nos cinemas, uma versão “live-action”, ou seja, com atores de carne e osso, da animação “A Bela e a Fera”. Lançado em 1991, o desenho animado foi sucesso absoluto de bilheteria e se tornou um dos desenhos mais queridos da Disney (leia a resenha do filme mais abaixo).

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A primeira versão da clássica história da moça meiga, doce e inteligente que se apaixona por uma criatura horrível e cruel, que na verdade é um príncipe amaldiçoado, foi publicada pela escritora francesa Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve em 1740. Como todo conto de fadas, já ganhou diferentes variações ao longo dos séculos. Mas todas elas são cheias dos elementos comuns às narrativas deste gênero: personagens estereotipados, divisão entre o bem e o mal, a redenção pelo amor.

Os contos de fadas surgiram há séculos como forma de ensinar lições e apresentar o complexo mundo adulto às crianças. Se para quem é gente grande já difícil entender sentimentos, intenções, etc, para os pequenos é ainda mais complicado. “É por isso que, nos contos de fadas, os valores são muito exacerbados”, diz a psicóloga Gisela Monteiro, doutora em psicologia social na USP.

Ou seja, os bons são bons mesmo, e os maus são maus mesmos. Aqueles que se transformam ao longo da jornada só conseguem passar por isso pela força de um sentimento muito nobre. É o caso da Fera, que se torna uma criatura mais sensível pela força do amor de Bela.

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Ilustração de Walter Crane para “A Bela e a Fera”, 1874

Outro papel dos contos de fada é auxiliar a criança a dar nomes aos sentimentos. É mostrar que, quando a pessoa se sente traída ou abandonada, é normal chorar e sentir tristeza, por exemplo. “Eles ajudam a organizar e estruturar a experiência emocional”, diz Gisela. E as crianças, por sua vez, vão representar esses sentimentos nas brincadeiras de faz de conta.

Os conto exibem uma variedade de sentimentos. Assim como as histórias mostram tramas que envolvem afeto, cooperação, dedicação e amor, também vão mostrar um lado cruel, mesquinho, egoísta e individualista do ser humano. O importante é ressaltar para a criança que aquilo é apenas uma história de ficção, um outro universo. “As histórias mesmas dizem: ‘era uma vez’. Ou seja, aquilo aconteceu em um tempo e um lugar que não existem”, diz Gisela.

A convivência com os livros pode acontecer desde bebê, mas as histórias devem se adaptar à idade da criança. “Não dá para ler um livro longo para uma criança de um ano”, diz Gisela. Portanto, uma dica é procurar livros adequados à idade ou contar uma versão resumida e adaptada dos contos. A extensão e a complexidade das histórias podem ser aumentadas conforme a capacidade de compreensão do pequeno. Com o tempo a criança também vai manifestar seus gostos pessoais.

Resenha: “A Bela e a Fera”, o filme
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O live-action que chega aos cinemas nesta quinta-feira (16) é inteiramente baseado na animação de 1991. Tirando uma ou outra diferença, o filme é uma reprodução bem fiel do desenho animado – incluindo cenas e músicas exatamente iguais. Dirigido por Bill Condon (de “A Saga Crepúsculo: Amanhecer” e “Dreamgirls”), funciona mais como uma homenagem à animação do que como uma história nova.

Quem esperava ver uma trama contada de maneira diferente ou sob outro ponto de vista vai se decepcionar. Mas aqueles que curtiram o desenho na infância vinte e poucos anos atrás e desejam reviver aquela experiência provavelmente vão gostar bastante. Para quem ainda não conhece direito a história e não assistiu ao desenho, o filme funciona bem como uma apresentação do conto.

A escolha de Emma Watson para o papel principal foi bem acertada. A atriz é carismática e consegue equilibrar a doçura com a inteligência e um toque de rebeldia de Bela. Assim como na história original, Bela adora ler e é considerada esquisita pelo povo de sua aldeia. No novo filme,ela é ainda mais independente. A garota inventa uma “máquina” de lavar roupas, para aliviar o trabalho doméstico pesado, e ensina meninas mais novas a ler, enfrentando a fúria dos aldeões que achavam que lugar de mulher era em casa (apenas os meninos frequentavam a escola na época).

Porém, esse toque de modernidade é apenas um pano de fundo para a história principal: a do príncipe egoísta e cruel que maltrata uma velha feiticeira e acaba sendo transformado em uma criatura terrível, condenado a viver daquela maneira até ser capaz de amar alguém e ter esse amor retribuído. Por conta de um deslize bobo do pai, a Fera aprisiona o homem, e a corajosa Bela toma seu lugar como prisioneira. Aos poucos, a garota vai percebendo que a criatura tem um lado bom.

Uma das críticas em relação ao filme é que a edição às vezes se mostra um pouco apressada. Isso fica claro na relação dos personagens principais. Bela passa muito rapidamente de uma prisioneira, que deveria sentir-se revoltada em relação a seu captor, para amiga da Fera. Incomoda um pouco ver a personagem tão resignada e tranquila dentro de uma situação abusiva. image006

O filme reforça a relação de Bela com o pai e, de novidade, mostra um pouquinho da história da mãe da Bela e também da mãe da Fera. É uma passagem muito rápida, mas que explica por que o príncipe tinha aquela personalidade detestável no começo da narrativa.

Os outros atores que merecem destaque são Luke Evans, como o vilão canastrão Gaston, e Josh Gad, como seu lacaio LeFou. A propósito, se você ouviu falar de cenas polêmicas envolvendo um personagem gay, esqueça. Sim, LeFou é homossexual e se sente claramente atraído por Gaston. Mas não há nenhuma cena que seja imprópria para menores, e o fato de LeFou ser gay não muda em nada a história principal.

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Coadjuvantes de luxo, os atores que interpretam os objetos encantados do castelo reúnem nomes de peso, como Ewan McGregor, Emma Thompson, Ian McKellen e Stanley Tucci, e conseguem envolver e até emocionar o espectador.

A Fera, interpretada por Dan Stevens, não é ruim, mas podia ser melhor. A produção do filme misturou maquiagem com computação gráfica. O resultado é satisfatório mas, com toda a tecnologia cinematográfica disponível hoje em dia, era de se esperar que víssemos uma criatura mais expressiva na tela.Beastmenor

Em resumo, “A Bela e a Fera” é um filme bonito, muito bem-feito em relação ao figurino, cenários e adaptação histórica, com momentos tocantes e atuações boas. Não é uma produção que vá mudar a história do Cinema, mas vale o ingresso e a pipoca.

Fotos: Divulgação / Disney

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Atrações para as crianças agitam a 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

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Começa nessa sexta (26) a Bienal do Livro de São Paulo. Selecionamos algumas atrações e atividades para crianças que vão acontecer durante o evento.

Veja a lista completa de atrações dos expositores nesse link.

Além dos eventos destacados aqui, vários Youtubers e autores de livros infantojuvenis vão participar de sessões de autógrafos. A maioria delas já está com as senhas esgotadas, mas é possível encontrar celebridades ainda disponíveis aqui e aqui.

A Bienal será realizada no Pavilhão do Anhembi até o dia 4 de setembro:
Av. Olavo Fontoura, 1209, Santana
Ingressos:
Segunda a quinta: R$ 20,00
Sexta a domingo: R$ 25,00
Meia-entrada: Estudante e matriculados Sesc credencial plena
Menores de 12 anos e maiores de 60 não pagam ingresso
Pacote família: 3 ingressos com 10% de desconto

* Espaço Mauricio de Sousa *
A Bienal montou um espaço permanente de 500 m² dedicado à obra do escritor e ilustrador. Os visitantes serão recepcionados por uma Mônica de três metros de altura e, antes de entrar na área principal, as crianças poderão deixar sua contribuição artística, pintando painéis ilustrados com os personagens.

O espaço contará com um escorregador de rolinhos, como o do Parque da Mônica, parede de escalada, teatro de fantoches e espaço em que as crianças poderão colorir desenhos com os personagens. Os pequenos também poderão passar por um processo de personalização e produção de um livro (R$ 39,90). Para completar, a exposição “Mauricio 80” trará uma linha do tempo com os melhores momentos da vida do ilustrador, desde quando era um jovem desenhista na década de 60 até os dias atuais.

* BiblioSesc – Praça de Histórias *
Esse espaço dentro da Bienal vai trazer diversas a apresentações e contações de histórias que podem atrair a criançada. Veja nossos destaques abaixo e clique aqui para a programação completa.

As Aventuras do Meu Avô – com Karina Gianechinni
Era uma vez uma casa e uma família trivial. Pai, mãe, filha mocinha, bebê chorão, Rafael, o filho do meio, e o avô. Esse último, depois de ficar viúvo, queria aproveitar cada minuto da vida como se fosse um adolescente! Tarefa gostosa, porém difícil, para um velhinho traquinas e muito divertido.
Quando: 26/08 (Ssxta), das 14h às 15h

O Cavaleiro Verde – Cia do Liquidificador
História do príncipe do reino de Acelóis, que todas as noites assume a forma de um grande papagaio e voa até o quarto de uma princesa, onde passam a noite conversando. Essa relação desperta a ira e inveja da madrasta da princesa, que atrai o príncipe para uma armadilha mortal. E agora? Será que a valente princesa conseguirá salvar o príncipe e ganhar a sua mão?
Quando: 27/08 (sábado), das 11h às 12h

As Três Laranjas do Amor – com Cristiane Velasco
Adaptação do conto popular espanhol, a partir da fusão de cantigas tradicionais brasileiras, danças e ritmos flamencos. A história conta as aventuras de um príncipe triste que parte em busca de três laranjas mágicas.
Quando: 28/08 (domingo), das 11h às 12h

Pé na Estrada – com Cia Conto em Cantos
Viajar, trilhar, voar e navegar com histórias deste e de outros mundos. “Sete irmãos”, conto judaico, “A moça maça”, fábula italiana, “Os Monstros não gostam da lua”, de Marjane Satrapi, “A Cigana que sabia tudo”, conto tradicional cigano, entre outras.
Quando: 31/08 (quarta), das 14h às 15h

Encontro com as Águas – O Anel da Tartaruga – com o grupo O Toque do Beija-Flor
Baseada no livro O Anel da Tartaruga, é uma dinâmica apresentação que une teatro, narração, poesia e músicas inéditas. O elenco formado pelo próprio autor do texto e por mais duas atrizes, conta a história da tartaruga Juliana que sente-se especial por causa do anel que tem na cintura, o qual ela acredita ser uma joia. Com a ajuda de um esperto salmão, ela descobre que o mar está repleto de lixo, que compromete a vida dos animais marinhos, inclusive a dela (seu anel nada mais é do que um anel de garrafa PET, que a deformou, impedindo-a de desovar). Mas, em vez de desanimar com essa descoberta, ela toma uma atitude para que seus amigos não sejam prejudicados, como ela foi.
Quando: 01/09 (quinta), das 10h3o às 11h

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* BiblioSesc – Praça da Palavra *
O segundo espaço do Sesc também terá atrações interessantes para os pequenos e seus papais. Confira:

Quando os Bichos Cantam
a contadora de estórias Fabiana Rubira proporciona aos seus ouvintes um mergulho na memória ancestral que está na base da nossa formação humana, para que se possa encontrar os fios que nos enlaçam e nos permitem fazer parte da grande trama da vida, desde a época em que os bichos falavam e cantavam.
Quando: 27/08 (sábado), das 11h às 12h

Sarauzinho com Manuí: Culturas populares do Brasil
A apresentação tem o objetivo de partilhar histórias, mitos e contos tradicionais e de grandes autores, cantorias, revelar a sonoridade das cordas, foles, batuques e brincadeiras da cultura popular brasileira e de criativos compositores. Com participação especial de Ana Maria Carvalho, herdeira das tradições populares do Maranhão e uma das fundadoras do Grupo Cupuaçu, e Rosângela Macedo, fundadora do Grupo Sambaqui, que permeia manifestações culturais da área cultural caipira.
Quando: 27/08 (sábado), das 12h30 às 13:30

Debate sobre contação de história para bebês
Fábio Lisboa e Denise Guilherme conversam sobre a importância da contação de histórias na primeira infância, partindo de suas experiências.
Quando: 27/08 (sábado), das 15h às 16h

* Aula Show – Delícias de recreio – com chef Rebeca Chamma *
A cozinheira mirim já participou dos programas Cocoricó, na TV Cultura, e Mini Chef, do canal Fox Life.
Onde: Espaço Cozinhando com Palavras
Quando: 03/09 (sábado), das 10h30 às 12h30

* Atividades com Luna e Ever After High *
A Salamandra lança na Bienal os livros “Como o mundo funciona” e “Natureza”, da série “O Show da Luna”; e “Ciência e Feitiçaria” e “Beijos e Feitiços”, da coleção Ever After High. Além disso, quem visitar o estande contará com atividades como: jogo de memória e oficina de origami da Luna; oficina de dedoches do Drufs – realizada pela Ópera Cómica e inspirada no lançamento de Eva Furnari – além de atividades de desenho e pintura da Luna.

A personagem principal da animação “O Show da Luna”, seu irmão Júpiter e o furão de estimação Cláudio estarão presentes para fotos com a garotada. Também marcarão presença as personagens de “Ever After High”; Raven Queen e Apple White.

Onde: Estande da Editora Salamandra
Quando:
Sessão de fotos com a Luna
– 27/8 (sábado), às 14h.
– 31/8 (quarta), às 16h.
– 03/9 (sábado), às 15h
– 04/9 (domingo), às 13h

Sessão de fotos e autógrafos Ever After High
– 03/9 (sábado), às 17h

Show de ciências da Luna
– 27/08 (sábado), às 11h
– 28/08 (domingo), às 15h
– 02/09 (sexta), às 15h
– 11/08 (sábado), às 11h

Jogo da memória da Luna
– 27/8 (sábado), às 11h30.
– 31/8 (quarta), às 15h.
– 03/9 (sábado), às 15h.

Oficina de Origami
– 27/8 (sábado), às 14h.
– 28/8 (domingo), às 16h.
– 03/9 (sábado), às 11h.

Oficina de Dedoches de Drufs (Eva Furnari)
– 28/8 (domingo), às 11h30.
– 31/8 (quarta), às 11h30.
– 04/9 (domingo), às 11h30.

Oficina de Desenho e Pintura
– 26/8 (sexta) – das 11h às 17h
– 27/8 (sábado) – das 11h às 17h
– 28/8 (domingo) – das 11h às 17h
– 29/8 (segunda) – das 11h às 17h
– 30/8 (terça) – das 11h às 17h
– 31/8 (quarta) – das 11h às 17h
– 01/09 (quinta) – das 11h às 17h
– 02/09 (sexta) – das 11h às 17h
– 03/09 (sábado) – das 11h às 17h
– 04/09 (domingo) – das 11h às 17h

* Sessão de autógrafos com Pedro Bandeira *
Um dos maiores escritores da literatura infantojuvenil no Brasil, com mais de 20 milhões de exemplares vendidos, e autor da clássica série “Os Karas” estará no evento relançando oito títulos de seu acervo, como “Alice no País da Mentira”, “Brincadeira Mortal”, “Gente de Estimação”, “O Grande Desafio”, “Descanse em paz meu amor…” e “Prova de Fogo”

Onde: Estande da Editora Moderna
Quando:
– 27/08 (sábado), às 16h
– 30/08 (terça), às 11h
– 01/09 (quinta), às 14h

Presença de personagens:

* Sessão de Fotos com a Hello Kitty *
A editora Ciranda Culltural estará apresentando, na Bienal, a coleção de livros de banho da Hello Kitty, criada para deixar os momentos na banheira, no chuveiro, praia ou piscina mais divertidos.
Onde: Estande da editora Ciranda Cultural
Quando: 28/08 (domingo), das 10h às 13h

* Presença dos personagens de A Patrulha Canina *
Onde: Estande da editora Melhoramentos
Quando: 01/09 (quinta), das 16h às 16h20

* Presença dos personagens Mônica e Cebolinha *
Onde: Estande da editora Girassol
Quando: 03/09 (sábado), das 17h às 17h20

Fotos: Divulgação

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Livro infantil de Sylvia Plath é opção de leitura para as férias

Não sabia que escritora americana Sylvia Plath (1932-1963) havia produzido histórias infantis até ler “O Livro das Camas – e Outras Histórias para Crianças” (Globinho), lançado no final de maio.

A publicação reúne o poema que dá nome ao livro ­­—  uma história de ninar inventiva e surreal que fala de diferentes tipos de camas —  e mais duas histórias.

Em “O Terno do Não-Faz-Mal”, o menino Max mostra o espírito livre e o despojamento das crianças ao usar uma roupa espalhafatosa sem se preocupar com o que os outros vão pensar.

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E, em “A Cozinha da Senhora Cereja”, utensílios domésticos ganham vida e tentam desempenhar funções diferentes das originais, provocando uma grande bagunça na casa.

Estimulando a criatividade e emprestando seus questionamentos e reflexões existenciais para o universo infantil de forma leve e divertida, “O Livro das Camas” deve agradar às crianças maiorzinhas, por volta dos seis, sete anos.

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A importância dos mil primeiros dias do bebê

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Você já ouviu falar dos mil primeiros dias de vida do bebê? Esse é o período que corresponde ao início da gestação (270 dias em média) até a criança completar dois anos (365 dias para cada ano), é super importante para o desenvolvimento e pode afetar a vida do indivíduo até à idade adulta.

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Vamos começar pelo começo: a gestação. “Algumas coisas que acontecem na vida intrauterina podem influenciar o resto da vida”, afirmou a pediatra Ana Escobar em encontro aberto ao público em São Paulo, realizado no último dia 5, que discutiu os mil primeiros dias.

Por exemplo, você sabia que uma mãe mal nutrida ou que ingere uma quantidade insuficiente de alimentos pode gerar um bebê com maior tendência a desenvolver obesidade, hipertensão, doenças cardiovasculares e diabetes?

Isso acontece porque, quando o organismo do bebê não recebe nutrientes suficientes, ele desenvolve um fenótipo “poupador”. Alguns órgãos, por exemplo, se desenvolvem com menos células do que um normal. Depois que o bebê nasce e é inserido em um ambiente pleno, com abundância de alimentos, esses órgãos precisam funcionar além de sua capacidade, o que pode aumentar o risco do indivíduo desenvolver os problemas citados acima.

Outros fatores que podem prejudicar o desenvolvimento do bebê são algumas doenças na mãe, contato com substâncias tóxicas, tabagismo e ingestão de álcool. Alguns médicos até liberam doses baixas de álcool para suas pacientes gestantes. Mas o mais recomendado atualmente é cortar totalmente a bebida, porque não existem estudos que demonstrem qual seria a dose segura.

Primeiro trimestre
O período mais crítico da gestação são os primeiros três meses, porque é quando os órgãos estão se formando. Daí vem a grande preocupação atual com o zika quando ele infecta grávidas. Esse vírus atinge o tecido nervoso e lesiona os neurônios, impedindo que eles se multipliquem. E é por isso que ele pode causar microcefalia.

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Além de se alimentar de forma saudável, cortar álcool e cigarro e praticar exercícios leves (conforme orientação do ginecologista/obstetra), é importante também consultar o médico a respeito de quais medicamentos e produtos a gestante deve evitar e quais vacinas tomar. Há coisas que parecem inofensivas, mas que podem fazer mal aos fetos. Por exemplo, cremes contendo ácido retinoico, um derivado da vitamina A muito comum em cosméticos, devem ser cortados da rotina da grávida.

Os dois primeiros anos
Depois que o bebê nasce, ele passa por intenso período de desenvolvimento nos seus dois primeiros anos de vida. Nessa fase, a nutrição também cumpre um papel fundamental. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é amamentar o bebê exclusivamente no peito  até os seis meses de idade, sem a necessidade de oferecer qualquer outro líquido, como água e chás, e continuar a oferecer leite materno em concomitância com outros alimentos até os dois anos de idade.

Além de ser riquíssimo em nutrientes, anticorpos e adaptar sua composição naturalmente conforme a fase de desenvolvimento da criança, o leite materno também contém DHA, um ácido graxo que compõe a gordura que “encapa” os neurônios e ajuda na comunicação entre eles, além de também ajudar no bom desenvolvimento da visão. Já existem fórmulas infantis que contêm DHA, mas cientistas ainda debatem se esse DHA artificial teria o mesmo efeito do que o contido no leite materno.

A partir dos seis meses começam a ser introduzidos outros tipos de alimentos, primeiro em textura de sopinha/papinha, e depois sendo engrossados naturalmente, até chegarem à consistência normal, por volta de um ano de idade. Até os dois anos o ideal é evitar frituras, gorduras, açúcar e alimentos industrializados.

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O cérebro do bebê
Nos primeiros dois anos de idade a criança também passa por um intenso desenvolvimento cerebral. O bebê nasce com os neurônios prontos, mas eles precisam se conectar entre eles. “E o que mais promove essa conexão é o vínculo afetivo”, disse Ana Escobar.

Olhar nos olhos, cantar, brincar, conversar, contar histórias, tudo isso promove bilhões de conexões neuronais ­—  as sinapses —  que vão preparar o cérebro das crianças para o aprendizado.

É importante também, nessa fase, não tentar antecipar etapas. Se o seu filho demorar para sentar, engatinhar, andar ou falar, tenha paciência e respeite o tempo dele. A não ser que ele tenha alguma dificuldade comprovada, você não precisa fazer nada, apenas dar muita atenção, carinho e brincar com ele sem hiperestimular, o que pode provocar ansiedade.

Os dois primeiros anos do bebê fecham um período que exige muita dedicação dos pais e cobra seu preço em muitas noites mal dormidas, cansaço e pouco tempo para eles mesmos. Mas é um esforço que vale a pena lá na frente e que vai ajudar a criar filhos mais saudáveis, espertos e felizes.

Fotos:
Madeleine Ball / CC-BY-SA_icon.svg
James Willcox  / CC-BY-SA_icon.svg

 

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Leitores desde o berço

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Você já leu para o seu bebê hoje? Nunca é cedo demais para apresentar o mundo das letras para o seu filhote. Por volta de seis meses, ou até antes, você já pode começar a oferecer livros para seu filho. Nessa fase, os ideais são os de pano, de plástico macio ou os de papelão grosso, com pontas arredondadas, que eles possam manusear sem se machucar ou rasgar o livro.

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Brincar é coisa séria

As vantagens de ler para bebês são muitas: a atividade incentiva o desenvolvimento da linguagem, mesmo que a criança ainda não seja capaz de falar, e estimula a curiosidade, a capacidade de memória e a habilidade de prestar atenção. Além disso, o momento de leitura pode aprofundar o vínculo entre o bebê e os pais e formar uma associação positiva com os livros que a criança vai levar para a vida.

Mas não precisa encarar a leitura como uma lição de casa ou atividade obrigatória. Ler pode e deve ser uma diversão para o bebê. Eles geralmente adoram ver as figuras, sentir as diferentes texturas exibidas nas páginas (existem livros maravilhosos que usam diferentes materiais para estimular o tato da criança) e aprender o nome dos objetos e animais.

Não precisa também se prender ao texto. Mostre as cores, fale o nome das figuras e invente outras histórias a partir das imagens. Você vai ver que o livro vai se tornar um objeto tão ou mais atraente para o bebê quanto qualquer outro brinquedo.

Fonte: Organização Reach Out And Read

Foto: Erica Firment88x31