Hepatite misteriosa na Europa e nos EUA: há casos no Brasil? Quais são os sinais de alerta?

Os pais que estão ligados no noticiário devem estar apreensivos por conta de uma outra doença além do coronavírus: a hepatite. Diferentemente da covid-19, essa enfermidade não é uma novidade para nós. Mas a forma como ela vem se apresentado está provocando questionamentos entre médicos e pacientes.

Segundo a OMS, desde abril foram detectados pelo menos 169 casos de hepatite aguda de origem desconhecida em crianças e adolescentes de 11 países europeus e nos Estados Unidos, sendo que houve uma morte e dezessete casos de transplante de fígado. Para a organização, ainda não está claro se houve um aumento real nos casos de hepatite ou se está havendo um aumento no número de diagnósticos de casos que normalmente passariam indetectados.

Ainda segundo a OMS, os vírus mais comuns que causam a hepatite (A, B, C, D e E) não foram encontrados nesses pacientes. Mas então o que está causando essa onda tão agressiva de hepatite nas crianças? Em pelo menos 74 casos foi detectada a presença de adenovírus. Os adenovírus são um grupo de vírus que geralmente atacam o sistema gastrointestinal e respiratório.

Segundo a pediatra infectologista Regina Matielo, do Hospital Sepaco, em São Paulo, não é incomum que os adenovírus provoquem alguma alteração no fígado, já que eles atingem o sistema gastrointestinal. Mas, geralmente, eles causam problemas como diarreia, vômito, dor de garganta, bronquite ou conjuntivite, e não hepatite, que é uma inflamação do fígado.

Caso os adenovírus realmente sejam os principais responsáveis por esses casos de hepatite (essa hipótese ainda não está comprovada, de acordo com a ONU), a comunidade médica não sabe por que ele estaria prejudicando mais o fígado do que outros órgãos do corpo.

Mas afinal, essa onda de hepatite chegou ao Brasil? Por enquanto não, ainda não foi identificado nenhum caso semelhante por aqui. Mas, segundo a infectologista Regina Matielo, não é difícil que isso aconteça. “Vivemos em um mundo globalizado e os adenovírus são frequentes em todos os lugares”. 

Covid-19
Outra hipótese levantada é a de que haja uma relação entre a hepatite misteriosa, o adenovírus e o coronavírus. O vírus da covid-19 foi detectado em 20 dos 169 pacientes, e 19 pacientes eram portadores tanto de adenovírus quanto de covid-19. Então a covid-19 teria um papel na doença? “Essa é a pergunta que os médicos fazem todos os dias”, diz Regina. Quer dizer, será que o coronavírus provoca uma resposta imunológica diferente no organismo quando a pessoa é infectada por outro vírus? Por enquanto, essa hipótese é pura especulação.  

Sintomas
A hepatite pode ser classificada em aguda, que é quando a doença se desenvolve e acaba em um período de dias a algumas semanas, ou crônica, que é quando a inflamação persiste por mais de seis meses. Essa nova onda de hepatite aguda que pode ou não estar ligada aos adenovírus ainda não chegou ao Brasil, mas isso não significa que nossas crianças estejam livres de contrair a doença. Então a quais sinais os pais devem ficar atentos?

Os sintomas mais comuns da hepatite são febre, dor abdominal e cansaço. Outro sinal bem característico da doença é o amarelamento da pele e dos olhos (icterícia). E, por fim, o sintoma mais clássico é a alteração de cor das fezes, que ficam esbranquiçadas, e da urina, que fica mais escura.

Diante dos sintomas e da desconfiança da doença, o médico pode pedir exames para verificar a função hepática.

Para prevenir a contaminação pelos vírus que provocam a hepatite, a principal medida é simples: higienizar bem as mãos, ensinar as crianças a lavarem as mãos, especialmente antes das refeições, já que os vírus são transmitidos oralmente.

Vacina
Já existe vacina para dois tipos de hepatite, a tipo A e tipo B.

A imunização contra a hepatite B é aplicada no bebê logo ao nascer, nas primeiras 24h. Na rede pública, são aplicadas doses de reforço aos 2, 4 e 6 meses de vida, incluídas na vacina pentavalente.

A vacina contra hepatite A é oferecida na rede pública como dose única entre 15 meses e antes de completar ​5 anos de idade. Mas as sociedades brasileiras de Pediatria (SBP) e de Imunizações (SBIm) recomendam duas aplicações, aos 12 e 18 meses de idade, ou o mais cedo possível, quando a vacinação não ocorrer nestas idades recomendadas. Quem tomou apenas uma dose na rede pública pode tomar um reforço em clínicas particulares nas idades recomendadas pelas sociedades.

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